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Campo Grande - sexta-feira, 21 de agosto de 2026

O triunfo da ancestralidade: Tia Eva torna-se símbolo nacional de resistência e patrimônio

A histórica igrejinha de São Benedito e o legado de Eva Maria de Jesus recebem a maior proteção cultural do Brasil

Michelly Perez - 09/03/2026 • 12:00

Foto: divulgação-Iphan

Quem passa pela igrejinha de São Benedito, no bairro que leva o nome do santo, sente que ali o tempo corre diferente. É um lugar de fé, de festa e, acima de tudo, de resistência. Agora, esse sentimento ganhou um selo oficial de importância nacional: a Comunidade Remanescente de Quilombo Tia Eva acaba de se tornar o primeiro quilombo do Brasil a ser declarado patrimônio tombado pelo Iphan.

A história começou em 1905, quando Eva Maria de Jesus chegou a estas terras. Benzedeira, líder e visionária, ela trouxe consigo a promessa de erguer uma capela caso a cura de uma enfermidade fosse alcançada. A igrejinha, erguida em 1919, não é apenas um prédio de alvenaria; é o símbolo de uma liberdade conquistada com suor e devoção.

Para nós, sul-mato-grossenses, o reconhecimento é um presente. É a confirmação de que a nossa identidade é plural e que as raízes negras da nossa Capital são fundamentais para entender quem somos hoje.

O que muda com o tombamento?

Além do prestígio, o tombamento traz medidas práticas que beneficiam Campo Grande e a comunidade:

  • Proteção Eterna: A área e suas características históricas não podem ser descaracterizadas por intervenções urbanas.

  • Fomento ao Turismo: A comunidade entra definitivamente no mapa do turismo cultural e religioso do Brasil.

  • Valorização da Memória: A criação de um livro específico para quilombos pelo Iphan abre portas para que outras comunidades em MS e no país também sejam protegidas.

Mais que um título, uma celebração

A tradicional Festa de São Benedito, que já é Patrimônio Imaterial, ganha agora um “escudo” físico. É a vitória de uma linhagem que manteve viva a tradição da culinária, da dança e do acolhimento que só quem já visitou a Tia Eva conhece.

Este marco coloca Mato Grosso do Sul na vanguarda da reparação histórica e da celebração da cultura afro-brasileira. Tia Eva não é apenas um nome em uma placa; agora, ela é, oficialmente, um pilar da história do Brasil.

Tags: Ancestralidade, cultura, Tia Eva,