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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Diminuição do custo da cesta básica em 2023 traz alívio para famílias

Redução nos preços alimentícios reflete em alívio financeiro, mas desafios econômicos se aproximam para 2024

Da redação - 09/01/2024 • 11:00

Cesta básica/Osmar Daniel Veigas

Em um cenário marcado pela diminuição do custo da cesta básica em 15 capitais brasileiras ao longo de 2023, Campo Grande (MS) se destaca liderando o ranking das maiores reduções acumuladas no período de 12 meses, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Com uma queda de -6,25%, Campo Grande encabeça a lista seguida por Belo Horizonte (-5,75%), Vitória (-5,48%), Goiânia (-5,01%), e Natal (-4,84%). No entanto, algumas capitais como Belém (0,94%) e Porto Alegre (0,12%) apresentaram taxas positivas nesse mesmo período.

O Dieese apontou que essa redução nos preços, aliada à revalorização do salário mínimo e à expansão da política de transferência de renda, trouxe alívio para as famílias brasileiras que enfrentaram aumentos nos preços dos alimentos, frequentemente superiores à média da inflação nos últimos anos.

No entanto, a entidade destaca preocupações com fatores como a questão climática, conflitos externos, câmbio desvalorizado impulsionando exportações e o forte impacto da demanda externa sobre os preços internos das commodities, apontando que esses podem ser desafios importantes para 2024.

Ao analisar o período mensal entre novembro e dezembro de 2023, houve um aumento do valor da cesta em 13 cidades, com maiores destaques para Brasília (4,67%), Porto Alegre (3,70%), Campo Grande (3,39%) e Goiânia (3,20%). As diminuições mais significativas ocorreram em Recife (-2,35%), Natal (-1,98%), Fortaleza (-1,49%) e João Pessoa (-1,10%).

Porto Alegre liderou como a cidade com o maior custo da cesta básica em dezembro de 2023 (R$ 766,53), seguida por São Paulo (R$ 761,01), Florianópolis (R$ 758,50) e Rio de Janeiro (R$ 738,61). Enquanto Aracaju (R$ 517,26), Recife (R$ 538,08) e João Pessoa (R$ 542,30) apresentaram os menores valores médios.

Para manter uma família de quatro pessoas com a cesta básica de Porto Alegre em dezembro de 2023, seria necessário um salário mínimo de R$ 6.439,62, representando 4,88 vezes o valor do salário mínimo vigente (R$ 1.320,00). Em novembro, o necessário era de R$ 6.294,71 ou 4,77 vezes o piso em vigor, enquanto em dezembro de 2022, era de R$ 6.647,63 ou 5,48 vezes o piso em vigor naquela época, de R$ 1.212,00.

O Dieese ressalta que essa estimativa se baseia na determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e sua família com diversos itens, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, entre outros.

Além disso, em dezembro de 2023, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 109 horas e três minutos para um trabalhador remunerado pelo salário mínimo. Em novembro, essa jornada era de 107 horas e 29 minutos, enquanto em dezembro de 2022, era de 122 horas e 32 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, o levantamento aponta que, em dezembro de 2023, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu 53,59% do rendimento para adquirir os mesmos produtos que, em novembro, demandaram 52,82%. Em dezembro de 2022, esse comprometimento era de 60,22%.