Campo Grande - sexta-feira, 26 de junho de 2026
Paralisada desde 2015, UFN-III receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos e produzir cerca de 16% da demanda nacional de ureia
Michelly Perez - 26/06/2026 • 08:45
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (25), da cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas. Paralisado desde 2015, o empreendimento da Petrobras volta a ser executado após nova avaliação técnica e econômica que apontou viabilidade para a conclusão da fábrica.
A obra integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e contará com investimento superior a R$ 5 bilhões. A expectativa é de que a unidade entre em operação em 2029, ampliando a produção nacional de fertilizantes e reduzindo a dependência das importações.
Durante o evento, Lula defendeu o fortalecimento da indústria nacional e afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de produzir insumos considerados estratégicos para garantir segurança alimentar e soberania econômica.
“Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que produz”, afirmou.
O presidente também criticou a paralisação do projeto ao longo da última década.
“Um país que é o segundo maior produtor de alimentos do mundo não poderia deixar uma fábrica como essa parada por tanto tempo”, disse.
Segundo a Petrobras, a UFN-III terá capacidade para produzir diariamente 3.600 toneladas de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia. Ao longo de um ano, a produção deverá alcançar cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia, o equivalente a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da unidade representa mais do que a conclusão de uma obra interrompida.
“Quando falamos da retomada da UFN-III, estamos falando da confiança na engenharia brasileira, na tecnologia nacional e na capacidade da Petrobras de contribuir para o desenvolvimento industrial do país”, afirmou.
Durante as obras, a expectativa é de geração de aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos. Além da contratação de trabalhadores, o projeto deve movimentar a economia regional por meio da demanda por serviços de transporte, hospedagem, alimentação, comércio e fornecedores locais.
A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que o empreendimento faz parte da carteira de investimentos do Novo PAC, que reúne obras de infraestrutura em diferentes áreas.
Segundo ela, além da fábrica de fertilizantes, Três Lagoas também recebe investimentos federais em mobilidade urbana, drenagem, saúde e habitação.
A retomada da UFN-III integra a estratégia da Petrobras para ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados. A estatal prevê que, com a entrada em operação das unidades da UFN-III, Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA, poderá atender cerca de 35% da demanda brasileira por ureia até 2029.
A produção nacional ganhou importância estratégica nos últimos anos após a guerra entre Rússia e Ucrânia expor a vulnerabilidade do Brasil, um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes, mas altamente dependente do mercado externo. A interrupção das cadeias globais de suprimento elevou preços e acendeu o alerta para a necessidade de ampliar a produção doméstica de insumos agrícolas.
A localização da fábrica foi considerada estratégica pela estatal. O Centro-Oeste concentra cerca de 40% do consumo brasileiro de ureia, impulsionado principalmente pelas lavouras de milho, cana-de-açúcar, algodão e pelas áreas de pastagem. A expectativa é que a produção em Três Lagoas reduza custos logísticos e aumente a oferta para produtores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo.
Durante a cerimônia, o prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, afirmou que a conclusão da fábrica representa um novo ciclo de desenvolvimento para o município. A ex-ministra do Planejamento Simone Tebet também participou do evento e destacou a importância do empreendimento para consolidar o município como um dos principais polos industriais do país.
Considerada uma das maiores fábricas de fertilizantes nitrogenados da América Latina, a UFN-III deverá reforçar a cadeia do agronegócio brasileiro ao ampliar a oferta de ureia produzida no país e reduzir a dependência das importações.
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