Campo Grande - segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Investigação aponta pagamentos milionários por serviços de digitalização de prontuários que nem teriam sido prestados
Michelly Perez - 11/09/2026 • 10:59
Foto: divulgação
A Santa Casa de Campo Grande, considerada o maior hospital público de Mato Grosso do Sul, foi alvo, nesta sexta-feira (11), da Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
A ação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Segundo o MPMS, as investigações apontam suspeitas de fraudes e desvios de recursos em contratos firmados pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, incluindo um acordo para a digitalização de prontuários.
Entre os presos estão:
O contrato previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme a investigação, somente no primeiro ano, o suposto desvio teria chegado a R$ 1,4 milhão, diante de pagamentos considerados elevados e sem a correspondente prestação dos serviços contratados.
As apurações também identificaram possíveis irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com empresas que, segundo o MPMS, fariam parte do mesmo grupo econômico.
De acordo com os investigadores, essas empresas teriam ligações com integrantes da direção da Santa Casa e estariam registradas no mesmo endereço, embora o imóvel estivesse desocupado.
Ainda segundo o MPMS, somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria realizado pagamentos de aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. A investigação aponta um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões à entidade.
O Ministério Público também afirma ter identificado situações em que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos dos órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. O valor total do prejuízo ainda está sendo apurado.
A Operação Antidotum contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.
O nome da operação, “Antidotum”, vem do latim e significa “antídoto”, em referência a uma contramedida utilizada para neutralizar os efeitos de uma substância nociva. No sentido figurado, representa uma resposta ou solução contra um problema.
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