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Campo Grande - sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Vídeo! Barco com minério afunda no Pantanal, ameaça abastecimento de água e deputados cobram mineradora

Parlamentares denunciam possíveis danos ambientais em Corumbá e Ladário, questionam pagamentos de royalties e cobram investigação

Michelly Perez - 03/11/2026 • 11:17

Foto: Wagner Guimarães

O afundamento de uma embarcação carregada de minério no Rio Paraguai acendeu o alerta ambiental no Pantanal e provocou uma série de cobranças na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Nesta terça-feira (3), deputados estaduais denunciaram os possíveis impactos do acidente sobre o abastecimento de água e a população de Corumbá, Ladário e do distrito de Antônio Maria Coelho.

O caso envolve uma barcaça que transportava minério de ferro e manganês e afundou no último sábado (31), no Porto Gregório Curvo. Segundo o deputado Paulo Duarte (PSDB), a ocorrência também levanta questionamentos sobre a fiscalização da atividade mineradora e o pagamento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), conhecida como royalties da mineração.

Durante pronunciamento na tribuna, o parlamentar afirmou que pretende apresentar uma representação ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para pedir a investigação dos possíveis danos ambientais e de irregularidades nos repasses financeiros ao município.

Paulo Duarte chamou atenção para os números da produção mineral. Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) apresentados por ele, em 2022 a empresa produziu aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de minério e pagou R$ 39,4 milhões em CFEM a Corumbá. Já em 2025, a produção teria alcançado 12 milhões de toneladas, enquanto os pagamentos ao município ficaram em R$ 21 milhões.

Para o deputado, a diferença exige explicações e uma fiscalização mais efetiva. Ele também questionou a falta de investimentos sociais na região e os impactos provocados pela exploração mineral.

O parlamentar afirmou ainda que cerca de 150 mil pessoas podem ter sido afetadas pelo episódio e levantou preocupações sobre a qualidade da água, a poeira gerada pelo transporte de minério e os danos à infraestrutura rodoviária.

Deputados cobram investigação e mudanças

A situação também mobilizou outros parlamentares. Zeca do PT relembrou tentativas realizadas durante seu governo para negociar a instalação de uma indústria de beneficiamento de minério em Mato Grosso do Sul, evitando que a matéria-prima fosse exportada sem processamento.

O deputado Paulo Corrêa (PL), que também participou das negociações na época, defendeu a cobrança de valores retroativos da CFEM e criticou a atuação da Agência Nacional de Mineração.

Já Pedrossian Neto (Republicanos) sugeriu discutir a suspensão de eventuais benefícios fiscais concedidos pelo Governo do Estado à empresa, por meio de um Projeto de Decreto Legislativo.

O deputado Pedro Kemp (PT), por sua vez, apresentou requerimentos às secretarias estaduais e ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Ele também defendeu alternativas ao transporte de minério pela hidrovia, como a utilização de ferrovias, diante dos riscos ambientais para o Pantanal.

Marinha investiga afundamento

O acidente está sendo investigado pela Marinha do Brasil. A ocorrência também levantou preocupações sobre possíveis consequências ambientais e o comprometimento do abastecimento de água na região.

Os parlamentares articulam uma reunião com a Presidência da República para discutir medidas de fiscalização, reparação de possíveis danos e proteção ambiental.

Enquanto as investigações avançam, deputados cobram esclarecimentos sobre a responsabilidade pelo acidente, os impactos provocados pelo afundamento da embarcação e os valores efetivamente recolhidos pela atividade mineradora em Mato Grosso do Sul.

Tags: ALEMS, Deputados, minério,