Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Desigualdade salarial entre gêneros persiste em Mato Grosso do Sul
Da redação - 25/03/2024 • 09:30
Desigualdade salarial/Marcos Maluf
Mato Grosso do Sul é palco de uma disparidade salarial alarmante entre homens e mulheres, revela o 1º Relatório de Transparência Salarial com recorte de gênero no país. O documento, divulgado nesta segunda-feira, 25 de março, pelos ministérios do Trabalho e Emprego (MTE) e das Mulheres, apresenta dados preocupantes sobre a remuneração das trabalhadoras sul-mato-grossenses.
De acordo com o relatório, as mulheres ganham 32,6% a menos do que os homens no estado. Esse dado, baseado em informações fornecidas por 580 empresas com 100 ou mais funcionários, revela uma disparidade salarial gritante que persiste no mercado de trabalho local. Essa exigência de divulgação de dados está em conformidade com a Lei nº 14.611, que versa sobre a Igualdade Salarial e Critérios Remuneratórios entre Mulheres e Homens, sancionada em julho de 2023.
O relatório destaca que a diferença salarial entre os gêneros varia significativamente dependendo do grupo ocupacional. Em cargos de dirigentes e gerentes, por exemplo, a discrepância salarial atinge impressionantes 40,5%.
Além da disparidade de gênero, o relatório também evidencia desigualdades salariais entre mulheres negras e não negras. Embora haja um equilíbrio no número de mulheres negras e não negras empregadas nas empresas pesquisadas, as mulheres negras recebem, em média, 21,5% a menos do que suas colegas não negras. Entre os homens, a diferença é menor, alcançando 12,3%.
O documento também analisa as políticas adotadas pelas empresas para promover a igualdade de gênero no ambiente de trabalho. Ainda que algumas empresas tenham implementado medidas de incentivo à contratação e ascensão profissional das mulheres, como planos de cargos e salários (61,5%) e políticas de promoção de mulheres a cargos de direção e gerência (37,4%), há um longo caminho a percorrer.
É preocupante notar que apenas uma pequena parcela das empresas sul-mato-grossenses adota políticas específicas para grupos mais vulneráveis, como mulheres LGBTQIAP+ (18%), mulheres com deficiência (23,3%) e mulheres vítimas de violência (7%).
Diante desses dados de desigualdade salarial, torna-se evidente a urgência de medidas mais eficazes para combater a desigualdade de gênero no mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul. A implementação de políticas mais inclusivas e a fiscalização rigorosa das práticas salariais são passos cruciais para promover uma sociedade mais justa e igualitária.