Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Comparação de gastos mostra a necessidade de cada realidade social
Dayane Mendonça - 23/05/2024 • 12:00
Comida/Marcos Maluf
No dia a dia da população o valor de R$ 100 pode assumir diferentes significados, dependendo da perspectiva social em que é inserido. De um lado, há aqueles para quem cada centavo é uma batalha diária para garantir as necessidades básicas. Do outro, existem aqueles para quem esse montante é apenas uma pequena fração do que poderiam gastar em uma única noite de lazer.
Para a vendedora Nayara Lima, a gestão cuidadosa de R$ 100 é uma realidade constante. Com esse valor, ela precisa equilibrar as necessidades básicas da família e tentar fazer o dinheiro render por mais dias. “Hoje R$ 100 não dá nada né”, lamenta Nayara.
Em sua rotina de compras, esse montante se traduz em um pacote de fraldas, carne, legumes e verduras, elementos essenciais para durar alguns dias da semana. No entanto, mesmo com uma gestão cuidadosa, o dinheiro mal dura para suprir as necessidades da semana inteira.
Em dias em que se pode gastar um pouco mais, Nayara faz um comparativo com um dia de lazer. Enquanto para ela, R$ 100 representam a garantia de parte dos alimentos essenciais para sua família, em uma noite de lazer, esse valor pode ser facilmente consumido em dois lanches e uma coca.
“Quando temos essa liberdade de gastar com a gente, esse dinheiro vai em uma noite também. A gente compra dois lanches que variam entre R$ 28 a R$ 32, uma coca de R$ 10 e lá se foi uns R$ 70”, brinca.
Por outro lado, Karine Dias, que desfruta de um padrão de vida mais abastado, enxerga R$ 100 de maneira completamente diferente. Em suas saídas para bares e restaurantes chiques da Capital, esse valor mal cobre o custo de três drinks.
“Em barzinhos os cardápios são sempre bem parecidos e as bebidas saem em torno de R$ 30 a R$ 35 cada drink, então em uma noite, esse valor vai em 3 bebidas”, explica. Além disso, em um almoço ou jantar em um restaurante renomado, esse montante é apenas suficiente para cobrir uma parte da conta.
“Já quando a gente vai almoçar em família, o R$ 100 dá para o self service que custa em média R$ 70 mais uma bebida, suco de R$ 20 e ali se encerra também, em uma única refeição”, detalha.
Consumo nem sempre é medido pela realidade social, mas sim pelas escolhas
A economista comportamental Andreia Saragoça explica que os gastos são feitos de acordo com o comportamento de cada cidadão e como essa pessoa encara a vida. “Quando a gente fala de comportamento em relação às nossas finanças, a gente tem que pensar muito no que cada pessoa quer”, explica.
Segundo ela, é importante que as pessoas tenham um mapa orçamentário em suas vidas financeiras, ou seja, o quanto se gasta em cada categoria da vida e dentro dessas categorias quais são as despesas, para saber usufruir desses valores com sabedoria.
“Seja saídas para boates, comer fora ou confraternização com os amigos, é importante ter esse norte financeiro para saber para onde está indo o dinheiro. Será que esse dinheiro está sendo bem gasto? E tomar a decisão se quer continuar gastando assim, ou quero gastar com outra coisa. Nossos desejos são infinitos, mas nosso dinheiro finito, então isso não depende só de classe social, mas sim de escolhas de cada um e isso não tem a versó com a realidade social, mas sim com as escolhas de casa pessoa.”, cita a economista sobre como a sociedade gasta seu dinheiro.