Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
Empreendedora transformou paixão pela costura em sustento familiar e encontrou na pintura uma segunda chance de sucesso
Dayane Mendonça - 30/05/2024 • 13:00
Costureira e pintora/Arquivo pessoal
Costureira talentosa, Márcia Eliane Falco, de 48 anos, relembra com carinho os primeiros passos nesse universo de linhas e agulhas, que começaram aos 13 anos, quando aprendeu os primeiros pontos com a mãe e começou a confeccionar roupas para as bonecas da irmã, um gesto simples se tornou sua profissão e sustento por mais de 3 décadas.
Durante sua juventude, Márcia trabalhou como faxineira na casa de duas costureiras, e foi ali que seu interesse pelas costuras se aprofundou ainda mais. “Eu via e falava, um dia vou ter minhas próprias máquinas”, lembra.
Foi aos 18 anos que ela então comprou sua primeira máquina e passou a trabalhar com costura. Ao longo de três décadas de dedicação e trabalho árduo, Márcia não apenas dominou as técnicas da costura, mas também se tornou uma especialista em todos os aspectos do ofício, desde o conserto de roupas até a criação de peças exclusivas.
Foi a costura quem sustentou sua casa, família e os 4 filhos.
“Nesses 30 anos montei meu ateliê, e trabalhei para mim. Amo o que faço e com meu esforço consegui comprar carro, moto, educar filhos, pagar aluguel e formar minha vida”, detalha.
Mas a vida de Márcia não foi apenas feita de sucessos; ela enfrentou desafios e obstáculos ao longo do caminho. Durante oito anos, seu ateliê ficou fechado, e ela precisou se reinventar quando mudou de bairro e se viu obrigada a buscar outras fontes de renda. Foi então que ela descobriu sua segunda paixão: a pintura.
A costureira tinha um ateliê no bairro Zé Pereira onde ela atendia muitas clientes, mas quando conseguiu sua casa própria no Jardim Carioca, enfrentou dificuldades para recomeçar.
Além de não ter muitos clientes na região e perder contato com a maioria dos antigos, Márcia lembra que o país enfrentou um momento difícil e sem as costuras foi trabalhar como auxiliar de pintura.
O que para muitos era visto como uma profissão masculina, Marcia quebrou tabus e se profissionalizou.
“Eu comecei como ajudante, mas fui conhecendo os detalhes e quando vi já estava atuando nessa profissão. Foi muito importante pois há 9 anos conheci minha segunda paixão e me dediquei. Foi a pintura que me salvou quando estava com dificuldade na costura”, relata.
Mesmo nos momentos mais difíceis, a costura sempre foi o alicerce de Márcia, permitindo que ela continuasse lutando por seus sonhos. Durante anos, ela atendeu suas clientes em seu apartamento, realizando pequenos consertos enquanto trabalhava para reabrir seu espaço.
Há oito meses, Márcia finalmente realizou esse sonho, abrindo seu ateliê em frente à praça do Jardim Carioca. O espaço é grande e confortável, perfeito para receber suas clientes e continuar a fazer o que ela mais ama. Além da costura, Márcia também vende roupas novas e seminovas, mostrando sua versatilidade e talento empreendedor.