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Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Visando a sustentabilidade, cacique esboça projeto da primeira horta indígena sustentável do país

Em 2016 o cultivo da comunidade ficou conhecido como a primeira horta indígena de folhosas

Jackeline Oliveira e Marcos Maluf - 15/11/2023 • 18:41

Sustentabilidade/Luciano Muta

Localizada na região norte, há 13 km do centro da Capital, a aldeia urbana Água Bonita abriga cinco etnias diferentes (Terena, Guarani, Kawioá, Kadiwiéu e Guató).

Em 2016 durante uma visita à comunidade, a pedagoga e pesquisadora, Margarida Gonçalves destacou a grandeza do projeto.“O projeto é diferenciado por causa da própria cultura do povo indígena. A diferença é que na cultura indígena, eles não têm a tradição de cultivar hortaliças e sim grãos e leguminosas. Essa é a primeira horta indígena do País”.

 

Horta da aldeia Água Bonita/ Foto: Aline Lira

Iniciada no final do ano de 2013 a horta tradicional da Aldeia Urbana Água Bonita, localizada no bairro Tarsila do Amaral, região norte de Campo Grande, produz em 2,6 hectares, hortaliças para mais de 320 famílias.

O trabalho, que desde o plantio das mudas até a colheita, é totalmente manual, sem uso de agrotóxico e com sistema de compostagem (adubação orgânica proveniente de subprodutos de alimentos da própria comunidade), a horta é mantida e cuidada por 23 pessoas responsáveis pelo plantio, irrigação e colheita dos produtos.

De acordo com o cacique Auder Romeiro Larreia, 43 anos, o projeto da horta se deu há nove anos, quando iniciaram no programa PNHR (Programa Nacional de Habitação Rural). “Precisávamos dar um sentido para o “R” e tivemos a ideia de fazer a horta, fizemos um curso na Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) e começamos o plantio, aqui produzimos folhagens, como alface, almeirão, couve, rúcula, cebolinha e outras coisas”, explica o cacique.

Auder conta que no início a horta possuía 3,6 hectares, entretanto, com o crescimento da população da comunidade e a necessidade de construir novas moradias, o espaço destinado à plantação foi diminuído e atualmente possui 2,6 hectares.

Segundo o cacique, a produção é maior que o consumo, e cerca de 10% da colheita é doada para a comunidade ao redor da aldeia urbana. “Produzimos alimentos para mais de 320 famílias, as folhagens que plantamos são para nosso consumo, e o que não consumimos, a gente doa aqui na região”, afirma Auder.

Mas todo esse sucesso na realização não seria possível sem irrigação. “A Águas Guariroba é a nossa principal parceira aqui na aldeia, ela nos forneceu 23 hidrômetros, caixas d’água. É nossa parceira na criação de tilápias, e é através dessa bica de água que conseguimos manter nossa plantação”, diz o cacique.

A Águas Guariroba vem dando apoio a comunidade desde 2018, ano em que foi regularizado o abastecimento de água, possibilitando a construção de casas por parte da prefeitura municipal de Campo Grande. Visto que na comunidade já havia uma horta comunitária, a empresa de abastecimento disponibilizou um ponto de água para irrigação, garantindo água limpa na produção dos alimentos. “Temos total segurança na qualidade da água, e isso contribuiu muito para que termos uma horta livre de agrotóxicos. Nossa produção é abençoada e limpa, a gente só vê criança com saúde”. Afirma o líder.

Água potável/ Luciano Muta

De 2018 até aqui, o crescimento populacional da aldeia veio mudando o cenário. Menos espaço e mais pessoas. Eis que então um sonho de transformar a horta em hidroponia aparece, mas de maneira bem tímida, afinal o investimento para este tipo de método ainda é algo considerável.

Buscando conhecimento e formas alternativas, o cacique, juntamente com todos os envolvidos no plantio, estudaram e já tem a intenção de colocar em prática a hidroponia em telha de fibrocimento (telha ecológica).

O projeto que está prestes a virar uma realidade, custa um terço do valor estimado de uma hidroponia convencional, produz até 3 vezes mais utilizando apenas metade do tamanho e economiza 80% do consumo de água.

Melhorias ergonômicas também estão na previsão com a nova implantação, pois o manuseio de operação é feito em plataformas elevadas, que também serão feitas de material alternativo como bambú.

“Hoje gastamos só para regar a horta, 1000 litros de água por dia, fora o que utilizamos na estufa de mudas, com a hidroponia vamos gastar menos, meu sonho é fazer a horta hidropônica aqui na nossa aldeia”, afirma o cacique.

“A hidroponia na telha fica mais barata que no cano PVC, vai ser possível cada família ter a sua, vamos ter economia de água que é o mais importante e, também resolver o problema de espaço para as moradias também, por que as hortas são suspensas”, explica Auder.

Case de sucesso

A Vida Gostoda é uma horta hidropônica em Campo Grande, pode ser citada como empreendimento de sucesso no mercado, como exemplo de que deu certo, começou tímido e hoje sustentabilidade e responsabilidade ecológica.

Hidroponia/ Luciano Muta

De acordo com o sócio-proprietário, Eduardo Klafke, 33 anos, a produção é feita em estufas com sombrites, que possibilita Produzimos em estufas a chamada produção perfeita.

“Nossa produção é feita em estufas com sombrites, contra os raios de sol de forma direta, o que gera uma produção perfeita”, explica Eduardo.

Sombrite/ Luciano Muta

Klafke explica que a hidroponia, assim como qualquer outro método, possui pontos negativos, no verão, por exemplo, é a necessidade de usar mais água, entretanto garante o baixo custo na produção e a alta economia de água.

“A hidroponia garante uma economia de 90%, comparado com as hortaliças plantadas na terra e também fazemos captação da água da chuva”, diz.

Monitoramento de água/ Luciano Muta

Para que o projeto da Aldeia Água Bonita saia do papel, o cacique está em busca de parceria. “Estou com essa ideia na cabeça, falta agora os parceiros, aí sim o sonho da hidroponia vai ser realidade aqui na aldeia Água Bonita”, finaliza o cacique.