Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Para Sindicato, aposta de concentrar os atendimentos em poucas unidades dificulta o acesso da população
Michelly Perez - 21/05/2024 • 13:00
Unidades contabilizam cerca de 800 atendimentos por dia/Foto: Marcos Maluf
Em entrevista À Revista A Foto, Marcelo Santana Silveira, presidente do SinMed/MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), um dos maiores gargalos da saúde pública é o de acabar com a centralização dos atendimentos. Uma vez, que prejudica quem mais precisa, a população que gasta no mínimo uma hora para ter acesso ao atendimento utilizando o transporte coletivo.
“A gente tem que levar em consideração que tem que haver uma descentralização desses atendimentos, por que a distância principalmente para a população mais carente é muito complicada. A ideia de concentrar os atendimentos em um só lugar já foi tentada por gestores anteriores e foi uma ideia que não se desenvolveu de maneira adequada e é uma situação que a gente vê com bastante preocupação”, declara Marcelo.
Diariamente cerca de 800 pessoas se dirigem até uma unidade de saúde de Campo Grande em busca de atendimento médico, destas, cerca de 240 são crianças, ou seja, 30% dos atendimentos em cada UPA são de pediatria. Na última semana o debate sobre a possibilidade de concentrar os atendimentos no CRS Tiradentes ganhou repercussão e foi desaprovada pela população.
Vale lembrar, que diante do aumento de casos de Síndrome Respiratórias em crianças, muitas famílias precisam recorrer ao transporte coletivo até chegar a alguma das unidades. Além das precárias condições em que os ônibus se encontram, os atrasos e a falta de veículos em número suficiente prejudica quem precisa de atendimento médico.
A possibilidade de ter que se dirigir até unidades distantes, foi uma das principais reivindicações dos moradores da região do CRS Tiradentes após a divulgação do suposto encerramento nos atendimentos 24h que segundo a Prefeita Adriane Lopes estava em análise. Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Saúde voltou atrás e negou o encerramento, citando que busca alternativas diante do caos que está a saúde de Campo Grande.
Cabe relembrar, que em julho do ano passado, a Prefeitura de Campo Grande, contrariando a vontade dos próprios médicos, colocou em prática o modelo de centralização dos atendimentos em apenas duas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), entre 1h e 6h. Para isso, a escala de plantão dos médicos, que era de 12 horas passou para 6 horas, inclusive, retirando os atendimentos no CRS Tiradentes.
Além disso, Marcelo Santana pontua que os profissionais neste período de síndromes respiratórias, estão tendo outros desafios, além da alta demanda de atendimentos, situação que não se restringe apenas aos pediatras.
“Com relação as dificuldades elas são as que encontramos para os médicos em geral, podemos pontuar a alta demanda, as ofertas de medicações que precisam ser ampliadas e repostas”, destaca.
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