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Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026

(Vídeo) Rachaduras, remendos e baratas: mães denunciam enfermaria do Hospital Regional

Famílias destacam a falta de equipes suficientes, desencontro de informações sobre procedimentos e estrutura precária

Michelly Perez - 07/06/2024 • 06:30

A Foto da rua

Em meio ao surto de doenças causadas pelos vírus respiratórios, mães de crianças internadas na enfermaria pediátrica do Hospital Regional denunciam que além da superlotação, a unidade possui estrutura precária, bebês ficam sem realizar os exames pelos equipamentos estarem estragados, os banheiros e as paredes estão com mofo, e ainda dividem espaço com as baratas.

“Estou com meu filho há quase um mês internado, ele chegou aqui com apenas 15 dias de vida e desde então, estamos vivendo um sofrimento. Não tem enfermeiras para todos, a gente tem que perguntar o que estão dando para que o nosso filho não receba a medicação errada. Aqui nós mães temos que ser as técnicas de enfermagem”, desabafa a jornalista Suelen Morales,  de 33 anos, que está com seu filho de apenas um mês de vida internado no hospital.

O filho de Suelen foi diagnosticado com o Vírus Sincicial Respiratório, que posteriormente evoluiu para uma pneumonia. O estado de saúde do bebê ainda foi agravado por um abscesso pulmonar necrosante no pulmão, que está com pus e precisa ser tirado por rádiointervenção que é realizado em outra unidade, no Hospital Universitário.

Janelas sem vidros, recebem cortinas improvisadas

“Só que para isso, precisa da tomografia que estava estragada. Mesmo assim, deixaram o bebê a noite inteira em jejum absoluto e só pela manhã me avisaram que o aparelho estava estragado. Na outra semana fiz o exame no Hospital Universitário, lá os médicos me confirmaram que o jejum para bebê é de quatro horas”, lamenta.

Com o resultado em mãos veio uma nova luta, a transferência do bebê para o Hospital Universitário, onde a rádiointervenção pode ser feita. “Me avisaram que só no HU podem fazer o procedimento, foi então que eu solicitei que eles enviassem o meu filho pra lá, por que se tudo o que vamos fazer só tem no HU não tem por que estarmos aqui correndo risco de pegar outra doença”, pontua.

Na manhã de ontem (6), Suelen após passar a noite com o filho em jejum recebeu uma nova surpresa às 11h, que o procedimento nem se quer tinha sido agendado. Desta vez, a culpa ficou em um ‘mal entendido’, depois passou para a falta de insumos e a falta de anestesista. “Eu vou fazer o quê com o meu filho? Ele vai ficar aqui padecendo até quando? já tomou sangue, já tomou tudo. Eu não aguento mais”, lamenta Suelen que está há duas semanas aguardando transferência e sem solução entrou com pedido de judicialização para o caso.

‘As crianças chegam com uma coisa e começam a pegar outras’

Placa indica que quarto foi dedetizado em 2019

Quem compartilha da dor e do sofrimento de Suelen é a mãe Samira Luiza Clarete Vasconcellos, 22, que já está na enfermaria da unidade há 1 mês e 11 dias com a filha de 4 anos, diagnosticada com pneumonia. O estado de saúde da criança também evoluiu para problemas no pulmão.

“Aqui o banheiro é todo quebrado, a água vaza no quarto, as paredes estão com mofo e os tetos abertos. Tem muito cheiro de mofo, até as tomadas estão estragadas. Desde que estou aqui, eu vi crianças piorando, chegavam com uma coisa e iam pegando outras”, frisa.

A expectativa é de que a sua filha receba alta hospitalar no sábado (8), mesmo assim, Samira relembra que quando chegou a pequena ficou três dias sem se alimentar. “Quando chegamos deixaram ela (a filha) três dias sem comer e tomar água. Aqui é tudo muito demorado”, conta.

O que diz a SES e o Hospital Regional?

A reportagem da Revista A Foto questionou o Hospital Regional e a SES (Secretaria de Estado de Saúde), ambos, enviaram o mesmo posicionamento e evitaram dar detalhes sobre a falta de infraestrutura, equipamentos e o tratamento adotado no cuidado das crianças.

“O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) informa que há um projeto sendo realizado, em parceria com a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), para levantar as necessidades de obras e intervenções no hospital. Para reforçar o quadro dos profissionais de enfermagem, foram abertas recentemente, por meio de processo seletivo simplificado e concurso público, 122 vagas distribuídas entre enfermeiros e técnicos de enfermagem”, reforça.

Além disso, o comunicado informa que o hospital possui canais específicos para denúncias e reclamações, sendo eles a Ouvidoria e o SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). “Estamos à disposição da família para dirimir quaisquer dúvidas sobre o atendimento prestado”, finaliza.

Tags: denúncia, Hospital Regional, saúde,