Campo Grande - segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Projeto Terapia com Patas leva animais treinados ao hospital e ajuda a aliviar a tensão de pacientes, acompanhantes e profissionais
Michelly Perez - 05/10/2026 • 06:01
Foto: humap- UFMS
Toda quarta-feira, o ambiente hospitalar do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) ganha um movimento diferente. Entre corredores, quartos e setores assistenciais, os pacientes passam a esperar pela visita de quem não veste jaleco, mas tem conquistado espaço como aliado no cuidado: os cães terapeutas.
Desde 2024, o projeto Terapia com Patas leva cães treinados para interagir com pacientes, acompanhantes e profissionais do hospital. A iniciativa voluntária utiliza a Terapia Assistida por Animais (TAA) como uma forma de humanizar a rotina de quem enfrenta períodos de internação e tratamento.
As visitas ocorrem semanalmente, às quartas-feiras, principalmente no período da tarde, com encontros também pela manhã, conforme a programação. Os animais circulam por áreas que possuem condições adequadas para recebê-los e também por setores administrativos.
Mais do que momentos de descontração, os encontros podem ajudar pacientes a desviar a atenção de situações de tensão e sofrimento.
Segundo as enfermeiras Flávia Nantes Fausto, da Unidade da Criança e Adolescente/Nefropediatria, e Sandra Morales de Souza, da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica/Enfermaria Pediátrica, ambas do Humap-UFMS, a presença dos animais tem impacto perceptível no ambiente hospitalar.
“Todos ficam encantados com a beleza, a ternura e a espontaneidade dos animais”, conta Flávia.
Uma das situações vivenciadas pela equipe ocorreu durante uma crise de ansiedade de um paciente. Enquanto ele estava no quarto, um dos cães apareceu na porta. A presença do animal desviou a atenção e ajudou a amenizar o momento de sofrimento.
Em outra situação, uma criança que enfrentava uma internação prolongada abraçou um dos cães e chorou por alguns instantes. A interação despertou a lembrança do animal de estimação que havia ficado em casa e a saudade da família.
“Durante uma internação prolongada, uma criança abraçou o cão terapeuta e chorou por alguns instantes, lembrando-se do seu próprio animal de estimação, de quem estava com saudades”, relata Sandra.
Os encontros também acabam marcando momentos de despedida. Uma criança que havia recebido alta chegou a pedir que o trajeto até a saída do hospital fosse interrompido para que pudesse brincar com os cães antes de ir embora.
A cena, segundo a equipe, mostra como os animais passaram a fazer parte da rotina de alguns pacientes.
O projeto reúne voluntários e seus cães, que passam por treinamento para atuar no ambiente hospitalar. A cada semana, diferentes animais participam da escala.
A expectativa começa antes mesmo da chegada dos voluntários. Pacientes, familiares e trabalhadores ficam curiosos para descobrir qual cão estará no hospital naquele dia.
“As tardes de quarta-feira são muito esperadas. Além de toda a alegria proporcionada pelas visitas, existe também uma curiosidade: nunca sabemos antecipadamente qual será o cão da escala”, conta Flávia.
Para quem passa dias ou até semanas dentro de um hospital, uma visita que dura alguns minutos pode representar uma pausa na rotina de exames, procedimentos e preocupações.
A proposta do Terapia com Patas é justamente criar esses momentos de acolhimento e aproximar o cuidado hospitalar de experiências que despertem afeto, lembranças e alegria.
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