ícone whatsapp

Comunidade • Confira tudo que você precisa saber sobre a comunidade

Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026

Depois de 16 anos de espera, policial vence batalha pela vida e renasce após transplante de rim

Foram 13 chamadas, incontáveis frustrações e uma rotina exaustiva até o momento decisivo: a ligação que mudou tudo

Michelly Perez - 15/04/2026 • 08:31

Foto: divulgação-SES

Por 16 anos, a vida do investigador da Polícia Civil Anderson Ribeiro dos Santos foi marcada pela espera. Não uma espera qualquer, mas aquela que atravessa madrugadas, interrompe rotinas e transforma um simples toque de telefone na possibilidade de um recomeço.

Diagnosticado em março de 2009 com nefropatia por IgA, conhecida como doença de Berger, ele iniciou poucas semanas depois uma rotina rigorosa de hemodiálise. O que era para ser um tratamento se tornou uma longa travessia de 16 anos e 8 meses, marcada por limitações, deslocamentos e incertezas constantes.

Nesse período, Anderson viveu entre sessões de tratamento, viagens e convocações para transplante que nunca se concretizavam. Foram 12 tentativas frustradas, interrompidas pela incompatibilidade do órgão. A cada nova chamada, a esperança renascia — e, muitas vezes, se desfazia.

“A gente vive esperando o telefone tocar. Pode ser a qualquer hora. Isso mexe com o psicológico, com o sono, com tudo”, relembra.

Ainda assim, ele seguiu. Mesmo diante da rotina exaustiva, manteve o trabalho como investigador da Polícia Civil, função que exerce desde 2006. Entre uma sessão e outra, encontrou no apoio dos colegas e na própria resiliência a força necessária para não desistir.

Virada de chave

A virada veio na madrugada de 13 de outubro do ano passado. Na 13ª tentativa, o telefonema finalmente trouxe a notícia esperada: havia um rim compatível.

“Foi como ganhar uma nova vida”, resume.

A partir daquele momento, começou uma corrida contra o tempo. Para que o transplante fosse possível, era preciso chegar rapidamente ao hospital. Cada minuto fazia diferença. Ao longo dessa jornada, Anderson contou com apoio logístico que foi decisivo para garantir o deslocamento. Em situações como essa, a agilidade no transporte pode ser o fator determinante entre a vida e a perda de uma oportunidade.

“Quando o chamado acontece, não dá para esperar. É tudo muito rápido”, explica.

Nos bastidores, equipes atuam de forma integrada para tornar esse processo possível. Pilotos, profissionais da saúde e estruturas de apoio trabalham em sintonia para garantir que o paciente chegue a tempo.

O piloto Enilton Zalla, que participou do transporte de Anderson, acompanhou de perto essa trajetória — inclusive em momentos anteriores, quando o desfecho não foi positivo.

“Era uma missão desafiadora, mas sabíamos da importância. Quando dá certo, é uma emoção enorme”, relata.

Desta vez, deu certo. O transplante foi realizado no dia 14 de outubro, um dia após a ligação. Ao chegar ao hospital, Anderson enfrentou uma mistura de sentimentos. A alegria pelo recomeço vinha acompanhada do medo natural de uma cirurgia complexa.

“A gente sonha com esse momento, mas também sente apreensão. É uma mudança de vida”, diz.

O acolhimento da equipe médica foi essencial para atravessar esse instante decisivo. Tudo aconteceu com rapidez e precisão.

Hoje, já recuperado, ele fala com gratidão.

“Estou vivendo uma nova vida.”

Ao longo de toda a caminhada, a presença da família foi fundamental. A esposa Simeide, os filhos Ana Lívia e José Pedro, a mãe Luzinete e o pai, Adão Ribeiro, policial militar aposentado, estiveram ao seu lado em cada etapa.

“Foram eles que me mantiveram firme”, afirma.

Integração pela vida

A história de Anderson também revela um cenário maior. O avanço na integração entre saúde e logística tem ampliado as chances de quem aguarda por um transplante, especialmente em estados com grandes distâncias.

O suporte aéreo e a articulação entre diferentes equipes têm permitido reduzir o tempo entre a captação e o transplante, aumentando significativamente as chances de sucesso.

Para quem espera, cada minuto importa. E, depois de 16 anos, Anderson finalmente deixou de contar o tempo. Hoje, ele recomeça. Não mais à espera de uma ligação, mas vivendo aquilo que, por tanto tempo, parecia distante: a chance de seguir em frente.

Tags: nova chance, Transplante, Vida,