Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Fitoterapia é prática milenar que pode ser adotada para adultos e crianças a partir de 12 anos
Michelly Perez - 27/11/2024 • 08:00
Silvia Heredia, farmacêutica, pesquisadora e professora do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, além dos cursos de Farmácia e Agronomia da Uniderp em cada edição da Revista A Foto, vai desvendar os benefícios das plantas medicinais, as espécies que estão em alta no momento e como podem ser utilizadas com segurança.

Silvia é especialista em plantas medicinais e vai revelar os benefícios de diferentes espécies para a saúde
Em entrevista, a especialista destaca que atualmente não é possível perceber quais são as plantas mais utilizadas, uma vez, que a população adapta o uso em diferentes períodos do ano, quase como uma tendência de uso. Mesmo assim, ela reforça a importância da Ora-pro-nóbis, também conhecida como “Carne de Pobre”.
“Estamos em uma fase da Ora-pro-nóbis que é um planta com bastante ferro, muita proteína, é conhecida como carne de pobre, justamente pelo ato teor de proteína e ferro que pode ajudar na anemia”, pontua.
Mesmo sendo uma planta de fácil acesso e de conhecimento popular, Silvia cita que é necessário que os pacientes se atentem ao modelo com que cada uma das espécies pode ser consumido, já que cada uma, tem a sua especificidade.
“Só que temos que chamar a atenção pra qual tipo de ora-pro-nóbis as pessoas têm, qual que é a cor da flor da ora-pro-nóbis, temos algumas que podem ser consumidas cruas, outras que não, então, mesmo que tenham o mesmo nome popular, elas não são a mesma espécie medicinal”, explica.
A farmacêutica pontua que os benefícios para quem opta pelo tratamento fitoterápico são inúmeros e que as pesquisas e os investimentos em estudos sobre as plantas e para quais tratamentos são recomendados estão cada vez mais avançados.
“As plantas têm muitos benefícios, então uma única planta tem vários benefícios, então tentamos direcionar para um mais especifico. A população ainda usa muito essas plantas medicinais se baseando no conhecimento popular e não que não seja importante, pelo contrário, é importante inclusive para direcionar as nossas pesquisas e com o apoio do Ministério da Saúde e da Vigilância de Sanitária temos defendido o que chamamos de uso racional, que é o uso cientifico, baseado em evidencias, então tentar comprovar cientificamente o uso dessas plantas para que a gente oriente sobre o uso com segurança, para que a gente consiga garantir com segurança a eficácia de uso e a segurança no uso”, cita.

Ora-pro-nóbis é rica em proteína Foto: Reprodução
Outro ponto destacado é que além de analisar os sintomas que o paciente está sentindo, o uso de plantas medicinais implica em um olhar mais atento aos fatores que estão contribuindo para as queixas do paciente, ou seja, não é apenas acabar com a dor, mas procurar entender o que leva a sentir essa dor.
“A fitoterapia está incluída nas praticas integrativas e complementares, onde olhamos para o paciente, o ser humano como um todo. Por exemplo, ele está com muita dor de cabeça, então podemos buscar uma planta, como a salix alba, que é analgésica, anti-inflamatória, que é o salgueiro, posso dar um chá de uma planta que ajude na dor de cabeça, mas eu preciso compreender o porquê ele está tendo essas dores de cabeça. então avaliamos todo o arredor do paciente, terapias holísticas, onde focamos não só na doença mas em todo o ambiente onde o ser humano está inserido, na atualidade são 29 praticas integrativas e uma delas é a fitoterapia, que é o tratamento com plantas medicinais”, destaca.
Uma das principais dúvidas sobre o uso das plantas medicinais é se elas são indicadas para crianças. A farmacêutica conclui que pesquisas demostram que mesmo se tratando de um processo natural, é necessário tomar cuidado com a dosagem aplicada para o público infantil.
“As crianças podem usar as plantas medicinas para quaisquer sintomas, a diferença é a dose. muita gente tem a ideia errônea de que por ser uma planta medicinal não faz mal, por ser natural, o que não é verdade. Até mesmo um adulto precisa tomar cuidado, e a criança ainda mais. Algo que aprendi, inclusive, com um indígena, foi que a criança ela deve usar no máximo metade de uma dose, as vezes 1/4 de uma dose de adulto, então ela tem que usar uma dosagem muito menor, para que a gente consiga garantir a segurança no uso”, conta.
Contudo, é importante se atentar a idade do paciente, já que o uso em bebês não é recomendado. “Temos plantas que são indicadas somente a partir dos 12 anos, algo muito importante de ser dito é que nenhuma planta deve ser utilizada por bebes antes dos seis meses. Já há comprovação cientifica de que os bebes não possuem todos os órgãos formados e as plantas medicinais podem ser prejudiciais”, alerta.