Campo Grande - quinta-feira, 25 de junho de 2026
MPMS reforça o alerta para sinais deste crime que é usado como instrumento de agressão contra a mulher
Michelly Perez - 26/02/2026 • 08:50
Foto: reprodução- DPP
Um crime que chocou o país neste mês reacendeu o debate sobre uma das formas mais cruéis de violência de gênero: a violência vicária. O caso ocorrido em Itumbiara trouxe à tona uma realidade — quando o agressor atinge a mulher por meio daqueles que ela mais ama.
O alerta agora parte do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que reforça a necessidade de identificar sinais precoces desse tipo de violência para evitar desfechos trágicos.
Titular da 72ª Promotoria de Justiça, instalada na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, a promotora Clarissa Carlotto Torres explica que a violência vicária ocorre quando o agressor utiliza filhos ou outros entes queridos como instrumento para provocar dor emocional na vítima.
“Ele não agride diretamente, mas atinge pessoas que a mulher ama, com o objetivo de causar sofrimento. A violência começa muito antes, com sinais como posse, ciúme excessivo, controle e manipulação”, destaca.
Segundo a promotora, reconhecer essas manifestações iniciais é essencial para interromper a escalada da violência, que pode evoluir de agressões psicológicas para situações extremas.
O MPMS atua tanto na responsabilização criminal quanto na prevenção. A promotora explica que a Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas capazes de interromper o ciclo de violência, incluindo a suspensão das visitas aos filhos menores quando houver indícios de risco.
“Se os filhos estão sendo usados como instrumento de violência ou existe qualquer ameaça à integridade deles, as visitas precisam ser suspensas para proteger a criança e a mãe”, afirma.
Além das medidas judiciais, o atendimento é feito de forma integrada, unindo suporte jurídico e psicossocial. Ao procurar ajuda, a mulher passa a contar com uma rede multidisciplinar que também acolhe e acompanha as crianças, impedindo que elas sejam transformadas em “moeda de troca” em conflitos marcados por violência.
Para identificar o grau de risco, o Ministério Público recomenda o preenchimento do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar). O documento auxilia na análise da situação e fundamenta pedidos de medidas protetivas, prisões preventivas ou outras cautelares.
A orientação é clara: romper o silêncio é fundamental. Tornar a situação conhecida por familiares, amigos e autoridades fortalece a rede de proteção e pode salvar vidas.
Para orientações e denúncias, o contato pode ser feito diretamente com a 72ª ou a 78ª Promotoria de Justiça, por meio dos canais de atendimento disponíveis.
Especialistas reforçam: violência vicária não começa no ato extremo — ela se constrói em sinais que não podem ser ignorados. Reconhecer, denunciar e agir rapidamente é o caminho para interromper o ciclo antes que ele avance.
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