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Campo Grande - quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Do cativeiro à fronteira: A saga de horror e o resgate milagroso da bebê Ayla no Paraguai

Acolhida em local secreto pela sua segurança, bebê aguarda decisão judicial sobre retorno à família

Michelly Perez - 12/08/2026 • 09:00

Foto: reprodução internet

Com apenas 30 dias de vida, a pequena Ayla Emanuelly já conheceu a face mais cruel da criminalidade e o esforço incansável da justiça. Em menos de uma semana, ela foi pivô de um sequestro planejado na internet, atravessou a fronteira clandestinamente para o Paraguai e foi resgatada em uma operação cinematográfica de cooperação internacional. Hoje, de volta a Campo Grande, ela está segura sob a proteção do Estado, enquanto o Poder Judiciário avalia se ela deve retornar ao seio da família biológica.

O drama da recém-nascida e sua mãe, uma adolescente de 17 anos, é um alerta sobre a vulnerabilidade e o “conto do vigário” digital. A história, que chocou o Mato Grosso do Sul, teria começado com uma suposta promessa inofensiva de R$ 100 em um grupo de rede social e terminou em um cativeiro vigiado por homens armados e um foragido por homicídio.

A Armadilha

Após algumas mudanças nos depoimentos, a mãe de Ayla contou que teria sido atraída por uma mulher em um grupo de vendas de roupas infantis. A proposta parecia simples: a adolescente receberia R$ 100 para cuidar da filha da suposta contratante.A jovem foi ao endereço combinado, no Bairro Universitário, levando Ayla e sua irmã de 12 anos.

Ao chegarem, o cenário era hostil. A casa abrigava cerca de dez homens além da dona do imóvel. Água foi oferecida às visitantes. A irmã de 12 anos adormeceu pesadamente logo em seguida, em circunstâncias que sugerem dopagem. Sob forte pressão psicológica e ameaças explícitas de que seriam “jogadas em um buraco”, a mãe adolescente teria sido obrigada a entregar Ayla e seu próprio celular. As duas irmãs foram libertadas horas depois, na madrugada de sexta-feira (7), sem a bebê.

Tecnologia e o Primeiro ‘Amber Alert’ de MS

A resposta da Polícia Civil de MS foi imediata e massiva. A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) acionou o Amber Alert Brasil — um sistema internacional de emergência para rapto de crianças, usado pela primeira vez no Estado — disparando alertas para forças de segurança e plataformas digitais.

Paralelamente, equipes do Garras, Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã iniciaram um trabalho de inteligência de alta complexidade. O cruzamento de dados e o rastreamento dos sinais de celular dos envolvidos foram cruciais. Eles indicaram uma movimentação rápida da Capital em direção à linha de fronteira, confirmando a suspeita de que Ayla havia sido levada para o Paraguai.

O Consulado Americano em São Paulo também prestou apoio tecnológico na localização. Com o paradeiro provável em mãos, as informações foram compartilhadas com o Comando Bipartito da Polícia Nacional Paraguaia.

O Resgate e as Prisões

Na madrugada de domingo (9), por volta de 1h15, forças táticas paraguaias invadiram uma residência em Pedro Juan Caballero. O milagre aconteceu: Ayla foi encontrada saudável e em segurança no imóvel.

Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça 

A operação resultou em três prisões fundamentais:

  • Em Campo Grande: Um homem foi preso acusado de ceder a casa que serviu de cativeiro inicial para dopar e ameaçar a família.

  • No Paraguai: O casal que mantinha Ayla, Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa, foi capturado. No momento da prisão, Alex apresentou documento falso. A polícia descobriu que ele era um foragido da Justiça do Amazonas, condenado a mais de 11 anos de prisão por homicídio.

O que vem a seguir?

Enquanto Ayla se recupera e a família biológica recebe apoio psicossocial, a investigação continua para responder às perguntas que ainda pairam sobre o caso:

  1. Qual era o destino de Ayla? O crime teve como motivação o tráfico internacional de pessoas, adoção ilegal ou uma cobrança de dívida?

  2. Quem são os outros? Houve participação de mais pessoas na execução e transporte da bebê até a fronteira?

Em nota, o Tribunal de Justiça de MS (TJMS) garantiu que Ayla passa bem e seu paradeiro é mantido em sigilo para sua proteção. A Justiça agora analisa todo o contexto familiar e social para decidir a guarda da criança que, com apenas um mês, já viveu uma vida de provações.

Tags: Ayla, investigação, sequestro,