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Campo Grande - segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Meningite pode evoluir em poucas horas e vacinação é principal forma de prevenção

Infectologista do Humap alerta para sinais de gravidade e necessidade de manter a caderneta vacinal atualizada

Michelly Perez - 05/10/2026 • 06:03

Foto: divulgação

Uma dor de cabeça intensa, febre, vômitos ou rigidez na nuca podem parecer sintomas comuns, mas também podem indicar uma doença que exige atendimento imediato. No Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado nesta segunda-feira (5), o infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), alerta para a rapidez com que algumas formas da doença podem evoluir.

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser provocada por diferentes agentes, como vírus, bactérias e fungos. Entre as formas mais graves estão as meningites bacterianas, que podem provocar sequelas neurológicas, perda da audição, alterações da visão e até levar à morte.

Entre as principais bactérias responsáveis estão o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo B (Hib).

Segundo Bertucci, o meningococo merece atenção especial porque, além da meningite, pode provocar meningococcemia, uma infecção generalizada que pode evoluir para choque e sepse.

“Além da meningite, ela é acompanhada de queda da pressão, choque, que são sinais de sepse. E no exame físico tem um sinal muito chamativo, que é a presença de manchas arroxeadas”, explica.

Doença pode piorar rapidamente

A velocidade de evolução é um dos principais motivos de preocupação nas meningites bacterianas. De acordo com o infectologista, um paciente que inicialmente apresenta um quadro aparentemente estável pode ter uma piora importante em poucas horas.

“A meningite bacteriana tem uma evolução muito rápida. Em poucos minutos e horas, um paciente que está muito bem pode se apresentar de forma muito grave, com uma piora neurológica agressiva, com risco de morte”, alerta.

Diante de uma suspeita, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. A avaliação pode envolver exames clínicos e laboratoriais e, quando indicada e considerada segura, a punção lombar para análise do líquor.

Nos casos em que há suspeita de meningite bacteriana, o tratamento com antibióticos precisa ser iniciado rapidamente, mesmo que a causa da infecção ainda não tenha sido confirmada.

Vacina é principal proteção

A prevenção começa pela vacinação. O infectologista ressalta, porém, que não existe uma única vacina capaz de proteger contra todas as bactérias que podem provocar meningite.

Entre as vacinas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão as que protegem contra meningococos, pneumococos e Haemophilus influenzae tipo B.

A vacina meningocócica C é aplicada na infância, enquanto a meningocócica ACWY é utilizada como reforço e também está indicada para adolescentes de 11 a 14 anos.

Também fazem parte da estratégia de proteção as vacinas contra o pneumococo e contra o Haemophilus influenzae tipo B, incluída na vacina pentavalente oferecida às crianças.

“A principal orientação às famílias é conferir a caderneta de vacinação e procurar uma unidade de saúde se houver doses atrasadas, porque manter o calendário vacinal atualizado protege as crianças, reduz os riscos de formas graves e também reduz a transmissão da doença”, orienta Bertucci.

MS registrou 34 casos e oito mortes

A doença continua sendo acompanhada pela vigilância epidemiológica em Mato Grosso do Sul. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MS), divulgados em maio, apontavam 34 casos confirmados e oito mortes por meningite até a Semana Epidemiológica 17 de 2026.

Dos óbitos registrados naquele período, seis ocorreram em Campo Grande, um em Corumbá e um em Dourados. Os números consideravam diferentes agentes causadores, incluindo vírus, bactérias e fungos.

Segundo a SES/MS, os casos não apresentavam vínculo epidemiológico e não configuravam surto.

Para Bertucci, os registros reforçam a necessidade de manter a vigilância e, principalmente, de evitar que sinais de alerta sejam ignorados.

“Antes de gerar um alarme, esses dados reforçam toda a importância do sistema de vigilância, da vacinação e, principalmente, do reconhecimento precoce dos casos para ações efetivas”, afirma.

A orientação neste Dia Mundial de Combate à Meningite é manter a vacinação em dia e procurar atendimento médico diante de sintomas que possam indicar a doença. Nas formas bacterianas, o tempo entre os primeiros sinais e o início do tratamento pode ser determinante para o desfecho do paciente.

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