Campo Grande - quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Pesquisa mostra que 42% das mulheres já apostaram ou ainda apostam; entre as que jogam, maioria tem filhos
Michelly Perez - 18/08/2026 • 10:52
Foto: reprodução internet
A aposta começa no celular, mas a conta pode terminar dentro de casa. Quatro em cada dez mulheres brasileiras (42%) já apostaram ou ainda apostam em plataformas online, segundo pesquisa do estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia. Outras 12% nunca jogaram, mas convivem com parentes ou amigos que apostam. Com isso, 54% das mulheres são diretamente afetadas pelas bets.
O levantamento mostra que, para muitas mulheres, a aposta não aparece apenas como diversão. A promessa de ganhar dinheiro rápido é associada a pagar boletos, comprar comida ou ajudar nas despesas dos filhos.
E os filhos aparecem justamente entre os principais pontos de atenção: 72% das apostadoras têm filhos, e mulheres com crianças apostam cerca de 1,6 vez mais do que aquelas sem filhos.
Outro dado curioso é o horário do jogo. 30% das mulheres apostam mais à noite ou de madrugada, período em que muitas estão sozinhas e longe dos olhos da família. A pesquisa aponta ainda que elas costumam esconder o hábito por vergonha.
A ilusão de que existe uma fórmula para vencer também aparece com força. 25% das mulheres acreditam que habilidade ou conhecimento ajudam a ganhar nas apostas. Entre as apostadoras frequentes, o índice chega a 40%.
O problema é que a tentativa de recuperar o dinheiro perdido pode transformar uma brincadeira em uma bola de neve. 7% das mulheres que apostam disseram já ter recorrido a agiotas para conseguir dinheiro para jogar.
E o impacto não fica restrito à conta bancária. Entre os brasileiros afetados pelas apostas de familiares, 24% relatam conflitos dentro de casa, 24% perda de confiança e 21% desgaste emocional. Além disso, 23% afirmam já ter presenciado ou conhecido casos em que as bets contribuíram para situações de violência familiar.
Em Mato Grosso do Sul, o avanço das apostas também entrou no debate público. O Estado já adotou medidas de conscientização e prevenção ao superendividamento provocado pelas apostas virtuais, enquanto Campo Grande passou a discutir o tema também sob a perspectiva da saúde mental e da prevenção.
A pesquisa mostra ainda que as mulheres são mais favoráveis a medidas rígidas: 62% defendem a proibição dos jogos online no Brasil, contra 50% dos homens.
No fim das contas, a pesquisa revela que a bet pode até começar como promessa de dinheiro fácil, mas, quando sai do entretenimento e entra no orçamento da família, o prejuízo deixa de ser individual e passa a ter vários nomes dentro de casa. (com Agência Brasil)