Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Em meio à guerra no Oriente Médio e à pressão no preço do petróleo, país vive em alerta sobre custos e abastecimento
Michelly Perez - 14/03/2026 • 07:00
Foto: reprodução-internet
A semana foi marcada por incertezas no mercado de combustíveis e acendeu um alerta no agronegócio de Mato Grosso do Sul. Em meio à alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio, o governo federal anunciou a redução temporária de tributos federais sobre o óleo diesel, medida que atende a um pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para conter os custos no campo.
A mobilização da CNA contou com a participação do presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, que também atua como diretor-secretário da entidade nacional. Segundo ele, o aumento no preço do diesel tem efeito direto na produção agropecuária, elevando custos logísticos, fretes e o uso de máquinas agrícolas.
O momento preocupa produtores do Estado, já que coincide com um período intenso de atividades no campo. A colheita da soja e o plantio do milho safrinha estão em ritmo acelerado, o que aumenta a dependência do combustível para manter tratores, colheitadeiras e caminhões em operação.
Bertoni alerta que a alta do diesel ocorre justamente quando alguns produtores enfrentam queda no preço de commodities, como a soja, o que reduz as margens de lucro.
“O aumento nos custos de produção traz instabilidade em um momento em que a soja teve queda significativa de preço”, afirmou.
Além de pressionar o produtor rural, o aumento do combustível também pode chegar ao consumidor final. Segundo Bertoni, o diesel influencia toda a cadeia logística e pode refletir nas prateleiras dos supermercados.
A redução temporária de tributos como PIS, Pasep e Cofins, que representam cerca de 10,5% do valor do diesel, busca justamente amenizar essa pressão e evitar repasses maiores ao consumidor.
Entidades do setor também acompanham com atenção possíveis problemas de abastecimento. A Aprosoja Brasil alertou para dificuldades na obtenção de diesel em propriedades rurais durante o período de colheita da soja e plantio do milho de segunda safra.
Relatos de produtores indicam alta rápida nos preços e até escassez do combustível em algumas regiões. Em Dourados, por exemplo, o litro chegou a R$ 6,80, quando há poucos dias era vendido por cerca de R$ 5,50. Há também registros de restrição no volume fornecido pelas distribuidoras.
A entidade também teme práticas especulativas no mercado, que podem elevar artificialmente os preços e pressionar ainda mais os custos de produção.
O cenário evidencia um problema estrutural do país: apesar de ser grande produtor de petróleo, o Brasil ainda depende da importação de diesel. Cerca de 70% do combustível consumido no país é produzido internamente, mas o restante precisa vir do mercado internacional.
Diante da instabilidade global, entidades do agro defendem medidas para reduzir essa dependência, como ampliar a mistura de biodiesel e incentivar o uso do etanol em máquinas e transporte de cargas.
Em Mato Grosso do Sul, o tema ganha ainda mais relevância. Segundo o projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS, a colheita da soja já alcançou 63,3% da área estimada de 4,8 milhões de hectares, enquanto o plantio do milho safrinha avança rapidamente, com 65,7% da área semeada.
Com máquinas em campo e caminhões nas estradas, o diesel se torna um insumo estratégico. Por isso, produtores e entidades seguem monitorando o mercado com cautela, em uma semana marcada por volatilidade, decisões emergenciais e muitas incógnitas sobre o comportamento dos combustíveis nos próximos meses.