Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
No aniversário da moeda brasileira, a maior lembrança era quando 1 US$ valia R$1
Michelly Perez - 02/07/2024 • 10:00
Antes do Real, filas eram parte da rotina dos brasileiros/ Foto: Antonio Scorza/AFP
O Plano Real completou ontem (1º), 30 anos de existência. Mas o que muita gente não sabe ou até não se lembra, é que os primeiros dias de adoção do novo modelo monetário do país, foram de muita adaptação. Supermercados tiveram de precificar mercadorias, Banco Central precisou montar uma força-tarefa para entregar as novas cédulas e o comércio teve longas filas e muita confusão.
Quando começou a circular, um real valia uma Unidade Real de Valor (URV), ou CR$2.750. Junto com a nova moeda, foram adotadas uma série de medidas para garantir a estabilização de preços, como um teto para a taxa de câmbio e também foram fixados limites máximos para o estoque de base monetária até março de 1995, além disso, foi determinado um depósito compulsório de 100% sobre os depósitos à vista para bloquear a oferta de crédito, deixando que o BC controlasse a expansão de empréstimos bancários para o setor privado. A inflação medida pelo IPCA em junho de 1994 foi de 47,43%. No mês seguinte, o índice já havia caído para 6,84%.

Coletiva de imprensa para apresentação do Real. Foto: Reprodução/internet
A implantação do novo padrão monetário exigiu a troca integral das notas em 1994. Desde a decisão de criar novas cédulas, em 27 de fevereiro de 1994 e a entrada em circulação da moeda em 1º de julho do mesmo ano em todo o território nacional, foi um trabalho impressionante, dado o curtíssimo tempo.
Para a elaboração das cédulas e das moedas necessárias para o lançamento do real, além da Casa da Moeda, em março de 1994 foram contratados três fornecedores estrangeiros para a produção de 260 milhões de notas das denominações de R$5, R$10 e R$50. Sendo: Giesecke & Devrient GmbH na Alemanha produziu 100 milhões de cédulas. Thomas De La Rue and Companhy Lmited na Inglaterra outras 120 milhões de cédulas e François-Charles Oberthur Fiduciaire na França, mais 40 milhões de cédulas.

Itamar Franco apresentando novas cédulas. Foto: Reprodução
Com as moedas e cédulas prontas foi a vez de viabilizar a entrega em todo o território nacional no momento da “virada”, diversas viagens foram necessárias para a distribuição do padrão real até 30 de junho. Para isso foram realizadas 106 viagens aéreas, totalizando o envio de 906 milhões de cédulas e 252,9 milhões de moedas (R$ 18,6 bilhões e R$ 89,6 milhões respectivamente). Por via terrestre foram feitas outras 37 viagens, com 34,8 milhões de cédulas e 435,2 milhões de moedas. (R$ 1,36 bilhão e R$ 148 milhões respectivamente).

Logística foi fundamental para entrega da moeda por todo o país. Foto: Reprodução
Na sexta-feira, 1º de julho de 1994, a população fez filas nas agências bancárias e caixas eletrônicos 24 horas em busca das novas cédulas, jornais e a imprensa da época mostravam os desafios do novo modelo no mercado. Se para os consumidores as notas eram novas, para os comerciantes o momento foi de adaptação, já que diferente dos planos anteriores, quando bastava cortar três zeros para saber o valor da nova moeda. Desta vez, era necessário converter 2.750 cruzeiros reais para R$ 1,00.
Com isso, filas se formaram em supermercados, enquanto os estoquistas trocavam todas a precificação dos valores de produtos nas prateleiras e os caixas ainda não tinham trocos suficientes para atender a toda a população. Até discussões e prisões foram registradas naquele dia. Com o retorno das moedas ao mercado, os pequenos comércios e feiras livres começaram a oferecer os tradicionais porta-moedas, com diferentes tamanhos, cores e materiais de produção.

URV (Unidade Real de Valor) serviu como uma ponte entre o Cruzeiro e o Real
Novos valores de cédulas
Em 2001, o real passou a ter também cédulas de R$2 e de R$20, que entraram em circulação para facilitar o troco e simplificar transações. Ao incluir esses novos valores, estudos apontaram que haveria a redução de aproximadamente 32% da quantidade de cédulas necessárias às transações, gerando uma economia significativa no custo de manutenção.
Mantendo a tradição de estampar os reversos das cédulas com imagens de animais da fauna brasileira em risco de extinção foi feita pelo público, por meio de uma pesquisa. A tartaruga marinha da cédula de R$2 e o mico-leão-dourado, da cédula de R$20, foram as primeiras colocadas na enquete. As outras opções eram o lobo guará, o tamanduá-bandeira e o jacaré-de-papo-amarelo, todos animais da fauna brasileira que correm risco de extinção. (com informações Banco Central)