ícone whatsapp

Capa • As melhores do mês

Campo Grande - quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Terceirizados da Energisa cobram rescisões trabalhistas e denunciam sobrecarga em mobilização em Ponta Porã

sindicato afirma que 45 ex-funcionários aguardam pagamento e aponta redução de equipes

Michelly Perez - 20/08/2026 • 10:58

Foto: divulgação

Cerca de 50 trabalhadores e ex-funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviços para a Energisa Mato Grosso do Sul se mobilizaram nesta quarta-feira (19), em frente à unidade da concessionária em Ponta Porã. O ato teve como principal reivindicação o pagamento de verbas rescisórias que, segundo o sindicato da categoria, ainda não foram quitadas, além de denúncias sobre redução de equipes e sobrecarga dos profissionais que atuam na manutenção da rede elétrica.

De acordo com o Sindicato dos Eletricitários de Mato Grosso do Sul (Sinergia-MS), aproximadamente 45 ex-trabalhadores da JVP Construções e Empreendimentos aguardam o pagamento das verbas decorrentes do encerramento dos contratos de trabalho. A empresa presta serviços terceirizados para a Energisa.

Durante a mobilização, o presidente do Sinergia-MS, Francisco Ferreira da Silva, buscou informações junto à empresa terceirizada e à concessionária sobre uma previsão para o pagamento. Segundo ele, os trabalhadores não receberam uma data concreta para a quitação dos valores.

“Eles informaram que a empresa não tem dinheiro. Nós já temos uma ação correndo no Judiciário e vamos ter de aguardar o desfecho”, afirmou.

Sindicato aponta redução de equipes

Para o sindicato, porém, o atraso no pagamento das rescisões é apenas parte de um problema maior enfrentado pelos trabalhadores terceirizados. A entidade afirma ter recebido relatos de redução no número de equipes, aumento da pressão por produtividade, jornadas extensas e sobrecarga entre os profissionais que permanecem na atividade.

Segundo informações que, de acordo com o Sinergia-MS, foram repassadas pela própria Energisa ao sindicato, o número de trabalhadores próprios e terceirizados teria caído de aproximadamente 2.672 no fechamento de 2025 para cerca de 2.360 no segundo trimestre de 2026.

A diferença representa uma redução de aproximadamente 312 trabalhadores no período.

Na avaliação do sindicato, a diminuição do quadro precisa ser analisada em conjunto com os relatos de aumento da carga de trabalho. A preocupação é que a redução das equipes também tenha reflexos sobre a capacidade de atendimento aos consumidores.

“Quando falta salário para quem está na ponta, falta também tranquilidade para quem mantém a rede funcionando. A empresa reduz custos, diminui equipes, aumenta a pressão sobre quem permanece e, no fim dessa cadeia, está o consumidor, que pode enfrentar demora no atendimento e equipes cada vez mais sobrecarregadas”, afirmou Francisco.

Atividade essencial

O presidente do Sinergia-MS destacou ainda as condições enfrentadas pelos trabalhadores responsáveis pela manutenção da rede e pelo atendimento de ocorrências.

“Estamos falando de uma atividade essencial. Não podemos aceitar que a redução de custos aconteça às custas dos trabalhadores e, consequentemente, da qualidade do serviço”, ressaltou.

Francisco também afirmou que os profissionais que atuam diretamente nas ruas estão sujeitos diariamente a condições adversas, como exposição ao sol e à chuva, além dos riscos inerentes à manutenção da rede elétrica.

“O trabalhador não é apenas um número. É ele quem está na rua, debaixo de sol e chuva, garantindo que a energia chegue à casa das pessoas. Valorizar esse profissional também é garantir segurança e qualidade na prestação de um serviço essencial”, completou.

O sindicato informou que há uma ação judicial em andamento relacionada às verbas trabalhistas e que os trabalhadores aguardam o desfecho do processo para receber os valores devidos.

Tags: Energisa, Manifestação, Ponta Porã,