Campo Grande - sexta-feira, 26 de junho de 2026
Nova startup comercializará bioingredientes da marca e ampliará o acesso a insumos rastreáveis
Michelly Perez - 26/06/2026 • 09:20
Foto: divulgação
A Natura anunciou o lançamento da Natura Ingredientes, uma startup criada para comercializar bioingredientes da Amazônia no mercado global. A iniciativa, estruturada no modelo de Corporate Venture Building, abre pela primeira vez para outras indústrias a cadeia de suprimentos desenvolvida pela empresa na região ao longo dos últimos 25 anos.
A proposta é escalar o modelo de sociobioeconomia já aplicado pela companhia, conectando insumos naturais rastreáveis a setores como cosméticos, alimentos e farmacêutico, sem comprometer o abastecimento interno da própria Natura.
Segundo o vice-presidente de Novos Negócios da Natura, José Manuel Silva, a iniciativa amplia o impacto da cadeia já estruturada na floresta.
“A Natura Ingredientes é uma startup que opera no formato B2B e representa uma aceleradora da resiliência e do impacto social e ambiental que já geramos hoje. Fortalecemos nossas cadeias sustentáveis ao mesmo tempo em que facilitamos o acesso de empresas que querem atuar na Amazônia”, afirmou.
A nova empresa foi incubada a partir da operação da Natura na região amazônica, especialmente por meio da Gerência de Relacionamento e Abastecimento da Sociobiodiversidade (GRAS), que atua há mais de duas décadas em parceria com comunidades locais.
O objetivo é conectar a produção de bioativos amazônicos a uma demanda global crescente, mantendo rastreabilidade total, manejo sustentável e padronização dos insumos. Segundo a companhia, a expansão para o mercado externo não compromete o fornecimento da Natura, que segue garantido por planejamento de safra e investimentos junto às comunidades produtoras.
A iniciativa se apoia em uma cadeia que envolve 43 comunidades no Brasil e mais de 11 mil famílias na Pan-Amazônia, responsáveis por práticas de biocomércio ético que ajudam a conservar cerca de 2,2 milhões de hectares de floresta. Em 2025, 13,1% das matérias-primas utilizadas pela Natura vieram da região.
No ano passado, os investimentos diretos da empresa em comunidades fornecedoras chegaram a R$ 62,39 milhões, alta de 29% em relação ao período anterior.
A Natura também destaca que foi a primeira empresa do setor a obter, em 2014, a certificação internacional UEBT para a linha Ekos, que valida práticas de biocomércio ético. Atualmente, todas as cadeias amazônicas da companhia possuem a certificação.
Em operação piloto há seis meses, a Natura Ingredientes já possui acordos firmados para 2026 com empresas como a britânica LUSH e a brasileira Mahta.
O portfólio da startup inclui mais de 20 espécies da sociobiodiversidade amazônica, como andiroba, tucumã, castanha-do-pará, murumuru e ativos olfativos como priprioca e ishpink.
A empresa afirma ainda que a nova operação reforça metas ambientais da companhia, como quadruplicar a compra de insumos amazônicos até 2030 e ampliar o uso de matérias-primas de origem sustentável em seus produtos.
Ao expandir a comercialização desses ingredientes, a Natura busca fortalecer sua cadeia produtiva, aumentar a escala de produção e estimular modelos econômicos baseados na preservação da floresta e na geração de renda para comunidades locais.