Campo Grande - segunda-feira, 6 de julho de 2026
Advogado morreu aos 47 anos, pouco mais de um mês após transformar o próprio velório em uma celebração da vida
Michelly Perez - 06/07/2026 • 08:39
Foto: reprodução Alison Lima
A despedida que Tiago Martins Pitthan imaginou aconteceu exatamente como ele desejava: cercado de amigos, afeto e boas histórias. Mas, desta vez, ele não pôde estar presente.
O advogado campo-grandense, conhecido nas redes sociais como “Bom Sujeito”, morreu na noite deste domingo (5), aos 47 anos, no Hospital Cassems, em Campo Grande, após enfrentar um câncer de estômago em estágio avançado. O velório será realizado nesta segunda-feira (6), a partir das 10h, no Memorial Park.
Pouco mais de um mês antes de partir, Tiago emocionou o Brasil ao fazer aquilo que parecia impossível: participou do próprio velório.
A ideia nasceu depois que recebeu a notícia de que o câncer não tinha mais possibilidade de cura. Em vez de esperar por uma despedida silenciosa, decidiu transformar aquele momento em um encontro de gratidão. Organizou uma grande celebração da vida, com música, conversas, abraços, risos e lágrimas compartilhadas por familiares, amigos e até desconhecidos que passaram a admirar sua história.
Não era uma festa para negar a morte.
Era uma celebração da vida.
No antigo galpão de uma cervejaria, em Campo Grande, Tiago reuniu pessoas que fizeram parte de sua caminhada. Houve apresentações musicais, rodas de conversa, um artista pintando a celebração em tempo real e até um sonho antigo realizado: aprender guitarra e subir ao palco para tocar, mesmo depois de descobrir a doença.
A despedida, acompanhada por milhares de pessoas nas redes sociais e repercutida em veículos de comunicação de todo o país, acabou se transformando em um convite à reflexão sobre a finitude, os afetos e o tempo.
Mesmo nos momentos finais, Tiago manteve a serenidade que marcou sua trajetória.
Horas antes de morrer, publicou um último vídeo nas redes sociais diretamente do hospital.
“Estou bem, em paz, feliz. Valeu a pena. Tudo valeu a pena. Tive uma vida boa. Eu venci. Um beijo do Bom Sujeito.”
A mensagem sintetiza a forma como escolheu enfrentar o diagnóstico recebido em 2024. Depois de descobrir um adenocarcinoma gástrico já com metástases, Tiago entendeu que não poderia controlar o fim da vida, mas poderia escolher como viver o tempo que ainda lhe restava.
E viveu.
Continuou trabalhando enquanto foi possível, voltou a praticar atividades que amava, desceu o Abismo Anhumas, em Bonito, saltou de paraquedas e repetia que, durante aqueles momentos, a doença deixava de existir.
“Lá em cima não tem câncer. Só tem eu e aquele mundão”, disse em uma de suas entrevistas.
Muito antes do velório tradicional desta segunda-feira, Tiago já havia recebido o abraço daqueles que amava, ouvido as homenagens que normalmente chegam apenas depois da partida e, principalmente, mostrado que a despedida também pode ser um encontro.
Sua história ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso do Sul porque falou sobre algo universal: a coragem de viver intensamente mesmo diante da certeza da morte.
Ao transformar o próprio adeus em um ato de amor, Tiago Pitthan deixou um legado difícil de medir. Fez milhares de pessoas ligarem para familiares, abraçarem amigos, repensarem prioridades e entenderem que talvez a maior homenagem que alguém possa receber seja em vida.
Nesta segunda-feira, familiares e amigos voltam a se reunir para a despedida definitiva. Mas, para muitos, ela começou há pouco mais de um mês, quando o “Bom Sujeito” mostrou que o amor não precisa esperar o luto para ser celebrado.
E talvez seja justamente essa a herança mais valiosa que ele deixa: a lembrança de que viver bem também é saber agradecer antes que o tempo acabe.
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