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Campo Grande - sexta-feira, 10 de julho de 2026

Quase meia tonelada de carne é descartada após operação em açougue da Capital

Fiscalização apreende 476 quilos de produtos impróprios e investiga supostas irregularidades sanitárias

Michelly Perez - 10/07/2026 • 08:18

Foto: divulgação

Uma operação conjunta da Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), da Vigilância Sanitária Municipal e do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) resultou na apreensão e descarte de 475,9 quilos de produtos cárneos considerados impróprios para consumo, em um açougue localizado no Bairro Bom Jardim, em Campo Grande.

A fiscalização foi realizada na manhã de quinta-feira (9), após denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria da Polícia Civil informando que o estabelecimento comercializava carne de origem clandestina e produtos vencidos. Durante a inspeção, os fiscais não encontraram carne clandestina nem alimentos com prazo de validade expirado.

Apesar disso, a equipe constatou que funcionários realizavam a desossa, moagem de carne e fabricação de linguiças sem o devido registro e autorização do Serviço de Inspeção Municipal. Também foram encontradas carnes manipuladas, como carne de sol, expostas para venda sem a regularização exigida.

Problemas sanitários e estruturais

Segundo a fiscalização, o estabelecimento apresentava diversas irregularidades sanitárias e estruturais. Entre elas estavam linguiças armazenadas sem qualquer rotulagem, carnes congeladas sem identificação, produtos acondicionados de forma inadequada e uma câmara fria em condições precárias de conservação e higiene. Os fiscais também verificaram cortes de carne armazenados ao lado de produtos em processo de descongelamento, sem controle técnico, além de uma sala de manipulação considerada inadequada, com até uma tampa de acesso ao esgoto instalada no interior do ambiente.

Ao todo, foram apreendidos 76,8 quilos de produtos de frango, 116,9 quilos de linguiças bovinas e de frango, 110,4 quilos de carne bovina, 86 quilos de fígado e coração bovinos, 27 quilos de carne de sol, 24,2 quilos de ossos, 9,3 quilos de pescado e 25,3 quilos de carnes sem qualquer identificação. Todo o material foi descartado.

Investigações continuam

No momento da operação, o gerente do estabelecimento apresentou a documentação indicando um médico-veterinário como responsável técnico pelo açougue. Tanto o gerente quanto o profissional poderão ser responsabilizados ao término da investigação pela suposta prática de crime contra as relações de consumo, previsto no artigo 7º, inciso IX, da Lei nº 8.137/1990, que trata da comercialização ou exposição à venda de mercadorias em condições impróprias para o consumo. A pena prevista varia de dois a cinco anos de detenção.

Tags: açougue, Carne imprópria, policia,