Campo Grande - domingo, 9 de agosto de 2026
Baixa umidade, falta de chuva e incêndios agravam qualidade do ar; moradores do Jardim Jerusalém denunciam recorrência
Michelly Perez - 21/07/2026 • 09:21
Foto: A Foto da Rua
O período de estiagem já começa a trazer reflexos para Campo Grande. Com a baixa umidade do ar, ausência de chuvas e temperaturas elevadas, incêndios em terrenos e áreas de vegetação voltaram a comprometer a qualidade do ar na Capital. No bairro Jardim Jerusalém, próximo ao Tiradentes, moradores relatam que a fumaça e a fuligem voltaram a invadir as casas, situação que, segundo eles, se repete todos os anos durante o inverno.
A principal reclamação é a prática de colocar fogo em áreas de mata e terrenos, que transforma a rotina da região em dias de fumaça intensa, cheiro de queimado e acúmulo de cinzas sobre telhados, quintais e veículos.
As condições meteorológicas favorecem a propagação das chamas. Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) mostram que a umidade relativa do ar chegou a 23% em Paranaíba, um dos menores índices registrados no Estado na segunda-feira (20). Em Campo Grande, a umidade mínima ficou em 38%, enquanto a temperatura máxima alcançou 30,7°C, cenário típico do período seco.
Além do calor e da baixa umidade, Mato Grosso do Sul enfrenta um déficit significativo de chuvas. Nos primeiros 15 dias de julho, grande parte dos municípios registrou precipitação entre 70% e 100% abaixo da média histórica. Em Campo Grande, o acumulado variou entre 4,8 e 10,6 milímetros, o que representa apenas 13% a 30% do esperado para todo o mês. Segundo o Cemtec, esse cenário aumenta o risco de incêndios e agrava as condições de seca no Estado.
Para quem mora próximo às áreas atingidas, os impactos vão além do desconforto. A fumaça reduz a qualidade do ar e pode provocar crises respiratórias, irritação nos olhos e agravamento de doenças como asma, bronquite e rinite, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
Moradores do Jardim Jerusalém afirmam que esperam uma atuação mais efetiva dos órgãos responsáveis para coibir queimadas em áreas urbanas. Eles relatam que, todos os anos, o problema se repete sem que haja uma solução definitiva, obrigando famílias a conviver com a fumaça dentro de casa.
Especialistas alertam que o uso do fogo para limpeza de terrenos, além de proibido, representa um dos principais fatores para o aumento dos incêndios urbanos durante a estiagem. Com a previsão de continuidade do tempo seco nos próximos dias, a tendência é de que o risco de novos focos permaneça elevado, exigindo fiscalização e conscientização da população para evitar queimadas criminosas ou acidentais.