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Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Operação mira policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida para traficantes em MS

Gaeco cumpre 24 prisões preventivas, duas temporárias e 38 mandados de busca em Campo Grande, Dourados e Terenos

Michelly Perez - 24/09/2026 • 10:41

Foto: Osmar Veiga/Campo Grande News

Uma investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) revelou um esquema que teria envolvido policiais civis, militares e penais no desvio de drogas apreendidas em operações para abastecer o tráfico em Mato Grosso do Sul. A Operação “Infiltrados” foi deflagrada nesta quinta-feira (24), com ações em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão. Até o momento, segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), foram presos nove policiais civis, dois militares e um policial penal.

As investigações começaram em outubro de 2025 a partir de provas encontradas durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Conforme o Ministério Público, o grupo investigado atuava principalmente com cocaína apreendida em ocorrências policiais. Parte dos entorpecentes teria sido desviada antes mesmo de ser registrada oficialmente ou retirada diretamente de depósitos de delegacias.

A droga que não chegava aos registros ou desaparecia dos depósitos seria posteriormente entregue a traficantes ligados ao grupo, que fariam a distribuição dos entorpecentes no mercado ilegal.

Segundo o MPMS, os policiais investigados utilizavam justamente as funções exercidas na segurança pública e estruturas destinadas ao combate ao crime para viabilizar o esquema.

Operação

A ação contou com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, além do Batalhão de Choque, Bope e Polícia Institucional do Ministério Público Federal.

A OAB/MS acompanhou as diligências realizadas na residência de uma advogada.

O nome “Infiltrados” faz referência, segundo o MPMS, à suspeita de participação de integrantes da organização criminosa dentro de órgãos de segurança pública e ao uso das próprias estruturas destinadas ao combate ao tráfico para a prática dos crimes investigados.