Campo Grande - domingo, 9 de agosto de 2026
Prefeitura condiciona venda do Consórcio Guaicurus à renovação da frota, instalação de ar-condicionado, reforma dos terminais
Michelly Perez - 22/07/2026 • 08:43
Foto: Marcos Maluf
A venda do Consórcio Guaicurus ganhou um novo passageiro: a Prefeitura de Campo Grande. Embora as empresas que operam o transporte coletivo tenham anunciado a negociação para transferência do controle ao Grupo HP, a administração municipal avisou que a operação só seguirá viagem se vier acompanhada de melhorias concretas para quem depende dos ônibus.
Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (21), a prefeita Adriane Lopes afirmou que a mudança de comando não será suficiente caso represente apenas a troca de proprietários.
“Não há como recepcionar uma empresa de fora sem propor mudanças. Precisamos que o contrato seja cumprido, com ônibus novos, ar-condicionado e reforma dos terminais. Queremos que seja concretizado o que, historicamente, não vem sendo cumprido em Campo Grande”, declarou.
O contrato de compra e venda, firmado no último sábado (18), prevê a aquisição das quatro empresas que operam o Sistema Integrado de Transporte (SIT) — Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco — pela Maas Administração e Participações Ltda., empresa do Grupo HP.
Apesar do anúncio, a operação ainda não tem passagem garantida. Como o transporte coletivo funciona por meio de concessão pública, a transferência do controle depende da anuência do Poder Concedente.
Segundo a prefeita, a administração foi comunicada oficialmente sobre a negociação na manhã desta terça-feira, durante reunião do comitê interventor. Ela afirmou que a assinatura da concordância técnica somente ocorrerá após análise detalhada da proposta e das garantias apresentadas pela futura controladora.
“O que interessa é a qualidade do serviço. Não adianta trocar de donos e continuar com um transporte de má qualidade, como acontece há 20 anos. Só será aceito se vier ao encontro das necessidades da população”, reforçou.
Para a Prefeitura, a venda ocorre em meio ao processo de intervenção decretado no Consórcio Guaicurus, instaurado após sucessivos descumprimentos contratuais. Conforme Adriane, diante desse cenário, havia a possibilidade de caducidade da concessão e abertura de nova licitação, mas a negociação entre grupos privados acabou antecipando uma possível mudança na operação.
Enquanto a venda é analisada, a intervenção municipal continua. As equipes técnicas seguem avaliando a execução do contrato e estudando mecanismos jurídicos para acelerar a renovação da frota e exigir o cumprimento das obrigações previstas na concessão.
A administração municipal garante que a negociação não altera, por enquanto, a rotina dos passageiros. As linhas continuarão operando normalmente e a tarifa permanece inalterada.
A conclusão do negócio ainda depende da aprovação das autoridades competentes. Até lá, a Prefeitura deixa claro que, para o passageiro, não basta trocar quem dirige a empresa: o que precisa mudar é a viagem diária de quem enfrenta ônibus antigos, atrasos e terminais deteriorados.
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