O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), já está preso em Campo Grande após ser localizado na Bolívia em situação migratória irregular. Segundo o portal boliviano Red Uno, ele foi abordado em um posto de fiscalização enquanto seguia para Santa Cruz de la Sierra e acabou detido após as autoridades constatarem que permanecia de forma irregular no país.
Ainda conforme o veículo de comunicação, Neno apresentou uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) brasileira durante a abordagem. Ao verificarem sua documentação, os policiais identificaram a irregularidade migratória e efetuaram a prisão. Em seguida, ele foi conduzido até a fronteira e entregue à Polícia Federal, em Corumbá, onde foi cumprido o mandado de prisão expedido pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
Após os procedimentos, o ex-deputado foi transferido para a Capital sul-mato-grossense e encontra-se custodiado no Centro de Triagem Anísio Lima, localizado no Complexo Penal do Jardim Noroeste, onde permanecerá à disposição da Justiça.
Atuação integrada
A prisão ocorreu no âmbito de uma operação conjunta entre a Polícia Federal, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MS) e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia. Segundo a PF, a atuação integrada envolveu compartilhamento de informações, diligências e alinhamento operacional entre as forças de segurança dos dois países.
Neno Razuk era considerado foragido desde 8 de julho, quando a Justiça determinou sua prisão após condenação em primeira instância na Operação Sucessão. Ele foi sentenciado a 15 anos, sete meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração de jogos de azar. A condenação ainda cabe recurso.
O portal Red Uno destacou ainda que a prisão não ocorreu em razão de uma difusão vermelha da Interpol. De acordo com as autoridades bolivianas, o pedido de inclusão do nome do ex-deputado na lista internacional ainda não havia sido concluído. Assim, a detenção ocorreu exclusivamente pela situação migratória irregular, circunstância que possibilitou sua entrega às autoridades brasileiras para o cumprimento da ordem judicial.
Defesa diz que ele voltava para se apresentar
Em nota, a defesa de Neno Razuk afirmou que o ex-deputado entrou na Bolívia em 1º de julho, antes da expedição do mandado de prisão, e que só tomou conhecimento da decisão judicial por meio da imprensa.
Segundo o advogado Ricardo Pereira, após o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul rejeitar os recursos e negar um pedido liminar em habeas corpus, Neno decidiu retornar ao Brasil para se apresentar espontaneamente à Justiça. A defesa afirma que essa intenção foi comunicada formalmente ao Judiciário e que o pedido de apresentação voluntária havia sido autorizado.
Ainda conforme o advogado, antes de reingressar em território brasileiro, o ex-deputado foi abordado pelas autoridades bolivianas e entregue à Polícia Federal, o que impediu que a apresentação ocorresse da forma previamente autorizada.
A defesa informou que irá pedir a revogação da prisão preventiva, alegando que não estão presentes os requisitos legais para sua manutenção, além de sustentar a inocência do ex-parlamentar durante o andamento do processo.