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Campo Grande - terça-feira, 4 de agosto de 2026

O inimigo invisível no expediente: calor ameaça trabalhadores e desafia regras de proteção

Com temperaturas próximas dos 40°C em MS, especialistas se reúnem em Campo Grande para discutir impactos das mudanças climáticas na saúde ocupacional e medidas de prevenção

Michelly Perez - 04/08/2026 • 08:19

Foto: reprodução

O calor extremo deixou de ser apenas um desconforto durante a jornada de trabalho e passou a ser considerado um fator de risco para a saúde e a segurança de milhões de trabalhadores. Com ondas de calor mais frequentes e intensas no Brasil, cresce o alerta para os impactos da exposição prolongada às altas temperaturas, principalmente entre profissionais que atuam ao ar livre ou em ambientes sem controle térmico adequado.

Em Mato Grosso do Sul, onde os termômetros frequentemente se aproximam dos 40°C e a baixa umidade do ar agrava a sensação térmica, trabalhadores enfrentam diariamente riscos como desidratação, exaustão térmica, insolação, queda de concentração e aumento da possibilidade de acidentes.

A preocupação será tema do Encontro Nacional Impactos do Calor na Saúde do Trabalhador, que será realizado no dia 6 de agosto, em Campo Grande. O evento reunirá especialistas em saúde ocupacional, representantes sindicais, instituições públicas e trabalhadores de diferentes categorias para discutir como o avanço das temperaturas extremas está transformando as relações de trabalho.

O debate ocorre em um momento em que pesquisadores e profissionais da área defendem a necessidade de rever protocolos de segurança e adaptar as normas trabalhistas à nova realidade climática.

“Estamos vivendo uma nova realidade climática e ela precisa ser considerada nas relações de trabalho. O calor excessivo já compromete a saúde, aumenta o risco de acidentes e exige uma resposta urgente do poder público, dos órgãos de fiscalização e dos empregadores”, afirma o presidente do Sinergia-MS, Francisco Ferreira da Silva.

Exposição ao calor exige mudanças

Entre os pontos que serão discutidos no encontro está a atualização das normas regulamentadoras relacionadas à exposição ocupacional ao calor. A proposta é ampliar medidas preventivas dentro das empresas, melhorar a fiscalização e estabelecer políticas que reduzam afastamentos e acidentes provocados pelas altas temperaturas.

Para especialistas, o desafio é reconhecer que o calor extremo não é apenas uma questão ambiental, mas também trabalhista e de saúde pública.

“O trabalhador exposto ao calor intenso pode apresentar desde sintomas leves, como fadiga e tontura, até quadros graves, como insolação e comprometimento das funções do organismo”, destacam especialistas da área de saúde ocupacional.

A programação contará com a participação do médico do trabalho Dr. Luiz Fernando Hormain, especialista em saúde ocupacional e pesquisador da área, e de Eduardo de Vasconcellos Correia Annunciato, presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo e coordenador do Manual Técnico de Proteção dos Trabalhadores – Agente Nocivo Calor, referência nacional sobre o tema.

Documento deve propor novas medidas

Além das palestras e debates, o encontro pretende elaborar um documento com propostas para contribuir com a revisão das normas de saúde e segurança do trabalho, diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

A expectativa dos organizadores é que a discussão ajude a construir estratégias para proteger trabalhadores que já convivem com uma nova realidade: jornadas mais difíceis, temperaturas mais elevadas e riscos que tendem a crescer nos próximos anos.

Serviço

Encontro Nacional Impactos do Calor na Saúde do Trabalhador
Data: 6 de agosto de 2026
Local: Rua 26 de Agosto, 2.296 – Bairro Amambai – Campo Grande (MS)
Realização: Sinergia-MS – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia no Estado de Mato Grosso do Sul

Tags: Clima, debate, trabalho,