Campo Grande - sábado, 8 de agosto de 2026
Recomendação é para barrar nomeações até conclusão das investigações
Michelly Perez - 06/08/2026 • 10:18
Foto: reprodução
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recomendou a suspensão da homologação do Concurso Público nº 01/2026 da Câmara Municipal de Ivinhema após identificar uma série de possíveis irregularidades que, segundo o órgão, comprometem a transparência e a igualdade entre os candidatos.
A recomendação foi expedida pela 1ª Promotoria de Justiça de Ivinhema e determina que a Câmara não realize convocações, nomeações ou posses até que todas as suspeitas sejam apuradas. O MPMS também deu prazo de cinco dias para abertura de procedimento administrativo e dez dias para que o Legislativo informe quais providências adotará.
Um dos principais pontos levantados pelo Ministério Público envolve a prova para o cargo de Analista de Recursos Humanos. Durante a investigação, foi constatado que um dos cadernos de prova apresentava diferenciação gráfica justamente nas alternativas que correspondiam às respostas corretas das questões de Língua Portuguesa.
Segundo o MPMS, o próprio material encaminhado pela banca organizadora continha as respostas corretas destacadas em vermelho. Posteriormente, porém, a banca enviou outro exemplar da mesma prova, desta vez sem a diferenciação gráfica, sem explicar a divergência entre os documentos.
Para a Promotoria, essa inconsistência compromete a credibilidade do certame e pode ter afetado a igualdade de condições entre os candidatos.
A recomendação também cita denúncias sobre possíveis problemas durante a aplicação das provas. Entre elas estão relatos de envelopes contendo cartões-resposta já abertos antes da distribuição aos candidatos e a suposta ausência de conferência da identidade de alguns participantes antes do início do exame.
Embora esses fatos ainda dependam de confirmação, o Ministério Público afirma que as denúncias revelam fragilidades nos protocolos de segurança adotados durante o concurso.
Outro ponto destacado diz respeito à prova de títulos. Conforme o documento, candidatos com formações semelhantes receberam tratamentos diferentes na avaliação dos certificados apresentados.
O MPMS aponta que alguns cursos de especialização foram recusados por não serem considerados compatíveis com o cargo, enquanto outros títulos, como mestrado e doutorado em Economia, receberam pontuação máxima para um cargo de Analista de Licitações e Contratos.
Segundo a Promotoria, a banca não demonstrou critérios objetivos e uniformes para justificar essas diferenças, o que pode ter alterado a classificação final dos candidatos.
A investigação também questiona o fato de apenas os candidatos classificados nas primeiras colocações terem sido convocados para apresentar títulos, enquanto os demais permaneceram no cadastro de reserva e continuam aptos a futuras nomeações.
Na avaliação do Ministério Público, essa situação pode gerar tratamento desigual, já que candidatos com especialização, mestrado ou doutorado deixaram de receber a pontuação correspondente por não terem sido convocados para essa etapa.
Além da suspensão da homologação, o MP recomenda que a Câmara realize auditoria na prova objetiva, revisão completa da prova de títulos, fiscalização da atuação da banca organizadora e análise sobre a necessidade de reabrir a etapa de apresentação de títulos.
Caso as irregularidades não sejam esclarecidas ou não seja possível restabelecer a confiança na lisura do concurso, a recomendação prevê que o Legislativo avalie a invalidação total ou parcial do certame e, se for o caso, busque ressarcimento dos prejuízos e até a devolução das taxas de inscrição aos candidatos.
Na recomendação, o Ministério Público ressalta que a medida tem caráter preventivo e busca evitar que o concurso produza efeitos antes da conclusão das investigações. O órgão também alerta que, caso a Câmara não adote as providências sugeridas, poderá recorrer às medidas judiciais cabíveis para garantir a legalidade, a moralidade administrativa e a isonomia entre os candidatos.