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Campo Grande - sábado, 8 de agosto de 2026

Chef de MS leva sabores do Pantanal e da fronteira ao maior circuito gastronômico do Brasil

Paulo Machado será atração do Mesa Ao Vivo e prepara livro que transforma ingredientes em memória gastronômica

Michelly Perez - 07/08/2026 • 08:34

Foto: divulgação

Há 18 anos, o chef sul-mato-grossense Paulo Machado transforma ingredientes, receitas e memórias de Mato Grosso do Sul em uma forma de contar a história do Estado. Agora, esse trabalho ganha um dos maiores palcos da gastronomia brasileira: pela primeira vez, o Mesa Ao Vivo será realizado em Mato Grosso do Sul, e Machado está entre os profissionais convidados para representar a identidade culinária da região.

O evento acontece nos dias 13, 14 e 15 de agosto, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande, reunindo chefs de destaque nacional e profissionais da cozinha sul-mato-grossense em uma programação dedicada aos sabores, ingredientes e tradições do Estado.

No dia 15, às 11h, Paulo Machado participa de uma aula-show ao lado da cozinheira de tradição e artesã Albertina Terena. O prato escolhido para a apresentação é o lambreado, receita que o chef considera um dos símbolos da cozinha de fronteira.

Mais do que ensinar o preparo, Machado pretende apresentar a história por trás do prato e mostrar como a culinária revela os encontros culturais que moldaram Mato Grosso do Sul.

“Ele traduz, de forma muito clara, a relação histórica entre Brasil e Paraguai, unindo a tradição da carne bovina sul-mato-grossense com influências paraguaias na técnica e no modo de preparo”, explica.

Para o chef, o lambreado nasceu justamente do encontro entre culturas que caracteriza a região.

“Ele representa as famílias, as festas populares, as cozinhas do interior e essa convivência cotidiana entre os dois países, em que os sabores atravessam fronteiras naturalmente.”

Da cozinha para a história

É essa relação entre comida, território e memória que norteia o trabalho de Paulo Machado. Em suas apresentações, o chef procura ir além da receita, contextualizando a origem dos pratos e mostrando como a gastronomia ajuda a preservar tradições e contar a trajetória de um povo.

Em Mato Grosso do Sul, essa identidade é formada, segundo Machado, pelo encontro entre culturas indígenas, pantaneiras e de fronteira. Uma característica que, para ele, deve ganhar ainda mais força com o Corredor Bioceânico.

“O Corredor Bioceânico é muito mais do que uma rota logística, representa um grande corredor de integração cultural entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, aproximando povos, tradições e gastronomias.”

A programação de Machado no Mesa Ao Vivo continua à noite. A partir das 20h, no Hotel Slaviero Prime Campo Grande, ele participa do Jantar Magno Origens 67, ao lado de nomes de destaque da gastronomia local e nacional.

Para a ocasião, o chef preparará uma releitura do vori-vori de pato, prato emblemático da culinária paraguaia que também faz parte de suas memórias afetivas.

“O vori-vori sempre fez parte das minhas lembranças de infância, das viagens para Ponta Porã e das refeições compartilhadas com amigos em Assunção”, conta.

A versão apresentada por Machado preserva a essência da receita, mas incorpora técnicas contemporâneas e elementos da cozinha pantaneira, com gema curada e pato defumado.

Livro vai transformar sabores de MS em memória

Enquanto leva a gastronomia sul-mato-grossense para o palco do Mesa Ao Vivo, Paulo Machado também prepara outro projeto para 2026: o lançamento de “Rota Gastronômica Pantaneira – Edição Águas”.

A obra reúne anos de pesquisa sobre a culinária de Mato Grosso do Sul e a relação entre os rios, o Pantanal e as comunidades que vivem nesse território.

O livro terá dezenas de receitas, relatos de viagens, personagens, curiosidades e ingredientes que ajudam a construir a identidade da cozinha pantaneira.

Entre as receitas estará justamente o lambreado.

Mais do que um livro de receitas, Machado quer transformar a publicação em um registro da cultura gastronômica de Mato Grosso do Sul.

“É um convite para conhecer Mato Grosso do Sul por meio da gastronomia, mostrando que cada prato carrega um pedaço da nossa história, da nossa biodiversidade e da nossa cultura.”

O chef considera que preservar essas histórias também é uma forma de garantir que elas cheguem às novas gerações.

“Tenho certeza de que será uma obra importante para valorizar ainda mais a gastronomia pantaneira e inspirar novas gerações a conhecerem e preservarem esse patrimônio.”

O Mesa Ao Vivo Mato Grosso do Sul terá entrada gratuita e programação voltada a quem deseja cozinhar, aprender e conhecer mais sobre a gastronomia regional. As atividades seguem o tema “Sabores do Mato Grosso do Sul: uma cozinha que nasce do Pantanal, das fronteiras e da biodiversidade”.

Tags: Chef, gastronomia, Paulo Machado,