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Campo Grande - terça-feira, 11 de agosto de 2026

Crédito rural começa nova safra com R$ 28,2 bilhões no país após MS fechar ciclo em queda

Estado contratou R$ 14,6 bilhões na safra passada, retração de 21,3%; no Centro-Oeste, operações somaram R$ 2,2 bilhões em julho

Michelly Perez - 11/08/2026 • 10:05

Foto: reprodução

A agricultura empresarial contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural em julho, primeiro mês da safra 2026/2027. O resultado ocorre em um momento de atenção para o setor em Mato Grosso do Sul, que encerrou o ciclo anterior com redução nas contratações de financiamento.

Segundo levantamento da Aprosoja/MS, os produtores sul-mato-grossenses contrataram R$ 14,64 bilhões na safra 2025/2026, volume 22,3% menor que o registrado no ciclo anterior. O resultado confirmou um cenário de maior restrição ao crédito rural no Estado.

No país, os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em informações do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central, e das registradoras de títulos para as Cédulas de Produto Rural (CPR), mostram que as contratações começaram o novo ciclo concentradas nesse instrumento.

As CPRs responderam por R$ 18,8 bilhões, o equivalente a 66,6% de todo o crédito contratado pela agricultura empresarial em julho. Já o custeio convencional somou R$ 6,5 bilhões, ou 23% das operações.

Ao todo, foram realizados 26.034 contratos no primeiro mês da nova safra. Desse total, 12.940 foram operações de CPR.

Custeio concentra recursos

Do total contratado para custeio da produção, o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) respondeu por R$ 3,5 bilhões, o equivalente a 53,5%. Os demais produtores empresariais contrataram R$ 3 bilhões, correspondentes a 46,5%.

As operações destinadas à comercialização da produção agropecuária somaram R$ 1,5 bilhão em julho. Já os financiamentos para industrialização, que incluem processamento e agregação de valor aos produtos agropecuários, chegaram a R$ 891 milhões.

Os programas de investimento, voltados à compra de máquinas e equipamentos, irrigação e modernização das estruturas produtivas, registraram R$ 118,1 milhões em aplicações no primeiro mês da safra.

Entre as linhas de investimento, o RenovAgro recebeu R$ 56 milhões, enquanto o Pronamp Investimento teve R$ 31 milhões em contratações.

Centro-Oeste

O Centro-Oeste contratou R$ 2,2 bilhões em crédito rural em julho. A região ficou atrás do Sul, que registrou R$ 3,6 bilhões, e do Sudeste, com R$ 2,5 bilhões.

O Nordeste contabilizou R$ 678 milhões e o Norte, R$ 400 milhões.

Apesar de não apresentar o valor específico de Mato Grosso do Sul no balanço divulgado pelo governo federal, o levantamento mostra que o Centro-Oeste teve o maior tíquete médio entre as regiões. Cada contrato movimentou, em média, R$ 1,25 milhão.

No Sul, o valor médio foi de R$ 529 mil por operação.

MS encerrou safra anterior com retração

Em Mato Grosso do Sul, a retração registrada na safra 2025/2026 atingiu diferentes modalidades de financiamento. O volume total contratado chegou a R$ 14,64 bilhões, 22,3% abaixo do ciclo anterior.

O resultado colocou o Estado diante de um cenário de maior dificuldade de acesso ao crédito justamente antes do início da safra 2026/2027. A avaliação da Aprosoja/MS é que o comportamento das contratações deve ser acompanhado ao longo do novo ciclo para verificar se haverá recuperação da demanda por financiamento.

A preocupação também aparece na avaliação do Sistema Famasul sobre o novo Plano Safra. A entidade considera que, apesar do volume recorde nominal anunciado pelo governo federal, a efetividade da política dependerá da capacidade de transformar os recursos previstos em crédito efetivamente acessível aos produtores.

R$ 97,6 bilhões em recursos equalizáveis

Para a safra 2026/2027, o governo programou R$ 97,6 bilhões em recursos equalizáveis. Essas verbas são destinadas a linhas de financiamento com taxas de juros controladas, com o diferencial em relação aos juros de mercado sendo coberto pelo Tesouro Nacional.

No primeiro mês do novo ciclo, R$ 1,3 bilhão desses recursos foi efetivamente concedido.

Entre os programas de investimento equalizáveis, foram contratados R$ 56,1 milhões pelo RenovAgro, R$ 20,7 milhões pelo Pronamp e R$ 17,6 milhões pelo Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).

O Banco do Brasil concentrou 86,8% das concessões nas linhas equalizáveis de investimento. Nas operações de custeio e comercialização, a instituição respondeu por 68,9% das concessões, seguida por Cresol, Sicredi e Credicoamo.

O novo Plano Safra prevê recursos para custeio, comercialização, industrialização e investimentos, com o objetivo de financiar a produção agropecuária ao longo do ciclo 2026/2027.

Tags: Crédito rural, economia, ms,