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Campo Grande - sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Mãe e avó inspiram artista visual em exposição sobre ancestralidade latino-americana

Entre memórias e heranças, artista transforma elementos do cotidiano em símbolos de pertencimento

Michelly Perez - 17/08/2026 • 08:20

Foto: Mateus Ishikawa

A memória, a ancestralidade e os vínculos construídos dentro de casa são o ponto de partida do trabalho da artista visual Ágatha Francelino, que assina suas obras como Agatharte. Acadêmica do oitavo semestre de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ela participa da exposição Tierra Zanta, realizada pelos acadêmicos do Centro Acadêmico de Artes Visuais (AAAAV) como parte da programação do Festival Sangue Latino, promovido pela sociedade artística O Corpocidade.

A exposição reúne trabalhos que dialogam com a identidade e a ancestralidade latino-americana e pode ser visitada entre esta sexta-feira e domingo, no Casarão Thomé, em Campo Grande.

Dentro dessa proposta, Ágatha apresenta um políptico formado por quatro pequenas obras produzidas em aquarela sobre papel. O trabalho busca aproximar o público de elementos presentes no cotidiano e na memória de muitas famílias latino-americanas, transformando objetos, paisagens e situações aparentemente simples em símbolos de identidade e pertencimento.

“A ideia das obras vem da ancestralidade que nossas casas latino-americanas carregaram e seus ícones que se tornam símbolos de identidade, que às vezes acabam passando despercebidos. Quando colocados como forma de arte, eles trazem essa proximidade”, explica a artista.

Intitulado “MariaAna Políptico”, o trabalho é também uma homenagem à mãe, Ana Lúcia Francelino, e à avó da artista, Maria Ana Francelino. A inspiração surgiu das lembranças da infância vividas na casa da avó, de linhagem indígena, e de elementos que marcaram aquele cotidiano, como o fogão a lenha, a criação de galinhas, a natureza e as brincadeiras de rua.

Mais do que representar lembranças pessoais, a obra procura evidenciar a força das mulheres como pilares de formação, memória e pertencimento. A escolha pelo formato de políptico reforça ainda a ideia de que as pessoas também podem ser compreendidas como casas: espaços que habitamos, que nos formam e que carregam histórias e ancestralidades.

A participação em Tierra Zanta representa, para Ágatha, uma oportunidade de levar essas memórias individuais para uma reflexão coletiva sobre identidade e cultura latino-americana, especialmente a partir do olhar sul-mato-grossense.

“Participar de uma exposição que traz essa forte intencionalidade de identidade e valor latino sul-mato-grossense aquece o coração. Nos faz entender que a arte ainda está viva e nos convida a refletir sobre questões que às vezes se tornam despercebidas, mas que dizem muito sobre quem somos”, afirma.

Em processo de formação artística, Agatharte também vê na experiência uma possibilidade de continuar utilizando a arte como instrumento de reflexão e educação. “Espero poder continuar a dizer sobre essas pautas importantes, seja em exposições ou até em forma de arte educadora”, completa.

A exposição Tierra Zanta permanece aberta ao público até este domingo, no Casarão Thomé, em Campo Grande, como parte do Festival Sangue Latino.

Tags: Avó, exposição, mãe,