Campo Grande - segunda-feira, 17 de agosto de 2026
Defensoria aponta necessidade de reforçar investigação e julgamento diante do aumento de agressões, ameaças e feminicídios em MS
Michelly Perez - 17/08/2026 • 09:53
Foto: Divulgação
A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul chama atenção para a necessidade de reforçar a estrutura responsável pela investigação e pelo julgamento de casos de violência doméstica em Campo Grande. O alerta ocorre no mês em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos e diante do crescimento dos registros de diferentes formas de violência contra mulheres.
Segundo o defensor público Giuliano Stefan Ramalho de Sena Rosa, embora a Capital conte com serviços especializados, o volume de procedimentos e processos exige uma estrutura maior para garantir que os casos avancem dentro dos prazos previstos pela legislação.
A preocupação envolve tanto a etapa de investigação policial quanto a fase judicial. Atualmente, Campo Grande possui duas varas especializadas para o julgamento de casos relacionados à violência doméstica.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 colocam Mato Grosso do Sul entre os estados com os índices mais preocupantes de violência contra a mulher. O Estado aparece com a quarta maior taxa de feminicídio do país, além de registrar crescimento em ocorrências de agressão, ameaça, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.
Um dos pontos destacados pela Defensoria é o cumprimento dos prazos estabelecidos para a conclusão das investigações, principalmente quando o suspeito está preso preventivamente.
A legislação não permite que a prisão se prolongue indefinidamente sem que o inquérito avance. Caso os prazos não sejam respeitados, a Justiça pode substituir a prisão por outras medidas cautelares. Isso, no entanto, não significa que a investigação ou o processo sejam encerrados.
Entre as medidas que podem ser adotadas estão o monitoramento eletrônico, uso de tornozeleira, proibição de contato ou aproximação da vítima e manutenção de medidas protetivas.
Casos recentes analisados pela Justiça de Mato Grosso do Sul mostram situações em que a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares em razão da demora na conclusão da investigação ou na apresentação da acusação. Mesmo com a mudança, os processos continuaram tramitando.
Para Giuliano Rosa, os casos reforçam a necessidade de ampliar a capacidade dos órgãos que atuam desde o registro da ocorrência até a decisão judicial.
“Um sistema de Justiça eficiente depende de uma estrutura capaz de atender, com agilidade, todas as etapas do processo”, afirmou.
Na avaliação do defensor, o fortalecimento da estrutura não beneficia apenas a responsabilização dos autores, mas também a proteção das mulheres que recorrem à Justiça.
A Defensoria Pública atua tanto na defesa técnica de pessoas acusadas quanto no atendimento e representação de mulheres vítimas de violência doméstica. Para a instituição, uma rede estruturada é fundamental para que medidas protetivas sejam analisadas e cumpridas com maior rapidez.
O cenário ganha ainda mais relevância diante dos dados nacionais que apontam aumento de diferentes tipos de violência contra mulheres em Mato Grosso do Sul.
A Defensoria defende que o investimento em pessoal, atendimento e estrutura dos órgãos responsáveis pela investigação e pelo julgamento acompanhe a demanda crescente.
“A atuação da Defensoria Pública ocorre na proteção dos direitos de todas as pessoas envolvidas. O fortalecimento da rede de atendimento e da estrutura do sistema de Justiça contribui para respostas mais rápidas e para a efetividade das medidas previstas na Lei Maria da Penha”, destacou o defensor.