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Campo Grande - segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Uma vida dedicada ao campo: aos 83 anos, instrutor se aposenta e deixa sucessora na família

Médico veterinário Manoel Fernandes encerra trajetória no Senar/MS após percorrer o Estado levando conhecimento e inspirar uma nova geração de profissionais

Michelly Perez - 17/08/2026 • 10:20

Foto: Senar-MS

Foram mais de três décadas percorrendo estradas de Mato Grosso do Sul, muitas delas de terra, para levar conhecimento a trabalhadores e produtores rurais. Aos 83 anos, o médico veterinário Manoel Fernandes encerra sua trajetória como instrutor do Senar/MS, mas deixa uma história que ultrapassa as salas de aula: seu trabalho também inspirou a própria família.

Um dos primeiros instrutores da instituição, Manoel começou no Senar/MS depois de se aposentar de uma carreira de 25 anos como médico veterinário em uma empresa. A oportunidade surgiu quase por acaso. Ao ouvir pelo rádio que a instituição buscava profissionais, foi até a antiga sede, na Avenida Mato Grosso, em Campo Grande, e integrou a primeira turma de instrutores.

O que começou como uma nova oportunidade profissional acabou revelando uma vocação.

“Inicialmente meu trabalho era a aplicação de medicamentos e inseminação artificial em bovinos. Mas quando comecei a dar aulas, vi que era um assunto que realmente gostava.”

Debaixo de árvores e em estradas de terra

Nos primeiros anos do Senar/MS, Manoel ajudou a formar as primeiras turmas da instituição e percorreu diferentes municípios do Estado. O cenário das aulas nem sempre era uma sala convencional. Em muitas ocasiões, o treinamento acontecia em propriedades rurais, varandas e até debaixo de árvores.

“Peguei muita estrada de terra e era gostoso, porque a gente sabia que era para orientar as pessoas para elas progredirem na vida.”

A disposição para ensinar fez com que o instrutor se tornasse uma referência na formação profissional rural. A trajetória chegou a ser registrada na capa do relatório de atividades do Senar/MS de 1994.

Para Manoel, o trabalho ia além de transmitir técnicas. Ele conta que criou vínculos com os alunos e buscava fazer com que todos terminassem os cursos preparados para colocar o conhecimento em prática.

“No campo, eu tratava meus alunos como os meus filhos, porque eu gostava de ensinar e fazer eles saírem dali sabendo fazer os serviços técnicos.”

O legado que chegou à família

A história construída por Manoel acabou influenciando também a escolha profissional da neta, Eduarda Nogueira. Formada em Medicina Veterinária, ela passou a atuar no Senar/MS como técnica de campo e instrutora.

Desde criança, Eduarda acompanhava a trajetória do avô e encontrou nela inspiração para seguir o mesmo caminho.

“Meu avô é uma inspiração, não só pela forma como ele conduz o trabalho dele, mas por todo o foco e dedicação que ele colocou nesse serviço.”

Para ela, trabalhar na mesma instituição que marcou a carreira do avô tornou ainda mais forte o vínculo entre os dois.

“Foi muito gratificante ver que pela profissão a nossa união se tornou ainda mais intensa.”

Manoel, por sua vez, não esconde o orgulho de ver a neta continuar uma trajetória que começou há mais de 30 anos.

“Ouvir isso de uma neta realmente dá vontade de viver ainda mais tempo. Fico muito orgulhoso.”

Uma história que fica

Com a aposentadoria, Manoel deixa as salas de aula, mas não encerra a marca que construiu no Senar/MS. Ao longo das décadas, ele acompanhou transformações no campo e ajudou a preparar trabalhadores para aplicar novas técnicas nas propriedades rurais.

Mais do que números de cursos ou municípios visitados, a trajetória é marcada pelas pessoas que passaram por suas aulas e levaram o conhecimento adiante.

“Eu não tenho palavras para dizer o que é o Senar/MS. Ensinei tudo que aprendi e infelizmente tive que parar. Sou agradecido pela oportunidade.”

Agora, o legado segue por uma nova geração — e, de maneira simbólica, permanece dentro da própria família, pelas mãos da neta que escolheu seguir os passos do avô.

Tags: Aposentadoria, Comunidade, legado no campo,