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Campo Grande - terça-feira, 29 de setembro de 2026

Soja começa a entrar no radar dos produtores enquanto colheita do milho chega a 87% em MS

Com safra na reta final, agricultores enfrentam desafio de preparar áreas para a soja diante de clima instável e margem apertada

Michelly Perez - 04/09/2026 • 09:01

Foto: Aprosoja MS

A colheita do milho segunda safra avança para a reta final em Mato Grosso do Sul e já divide espaço com os preparativos para o próximo ciclo de soja. Até 28 de agosto, 87,2% da área acompanhada no Estado já havia sido colhida, segundo o Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc.

Com a mudança de uma cultura para outra, produtores entram agora em uma etapa considerada decisiva: a preparação do solo para a soja 2026/2027. O controle de plantas daninhas, principalmente da buva, ganha atenção, enquanto avançam os trabalhos de dessecação, correção e adubação das áreas.

“A controle antecipado das plantas daninhas é um dos pontos mais sensíveis do início de safra, já que interfere diretamente na eficiência do plantio e no potencial produtivo da lavoura”, explica o analista técnico da Aprosoja/MS, Lucas Santana.

Milho perto do fim

A região Norte é a mais adiantada na colheita, com 98,8% da área já retirada do campo. Na região Centro, o índice chega a 86,3%, enquanto no Sul está em 85,6%.

As produtividades registradas variam de 40 a 192 sacas por hectare. A expectativa é que a segunda safra termine com 11,139 milhões de toneladas produzidas em 2,206 milhões de hectares.

O avanço da colheita, porém, traz outro desafio: o armazenamento. Segundo a Aprosoja/MS, há registros de saturação em silos de cerealistas e cooperativas em algumas regiões, provocando filas para descarga.

A entidade recomenda que os produtores reforcem o planejamento logístico para evitar que o escoamento da produção se transforme em um novo gargalo justamente quando colheita e preparação da próxima safra acontecem simultaneamente.

Quanto custa plantar soja?

Enquanto o milho deixa o campo, a soja começa a ocupar o centro das preocupações financeiras dos produtores. O custo médio para produzir um hectare de soja em Mato Grosso do Sul é estimado em R$ 5.024,82, segundo estudo técnico da Aprosoja/MS.

Considerando o preço médio de R$ 119,52 por saca, o produtor precisa colher 42,04 sacas por hectare apenas para cobrir o custo total da atividade.

Os insumos representam a maior fatia da conta: R$ 3.078,63 por hectare, ou 61,27% do custo total. Dentro desse valor, os fertilizantes respondem por R$ 1.367,31, os defensivos por R$ 1.071,42 e as sementes por R$ 542,50.

“Isso significa que mais de R$ 6 de cada R$ 10 gastos para produzir um hectare de soja estão concentrados nos insumos”, afirma o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho.

Produtividade será decisiva

A produtividade de referência utilizada no levantamento é de 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras. A estimativa para a primeira safra 2026/2027, porém, aponta para uma redução de 13,2% em relação ao ciclo anterior.

O resultado financeiro também dependerá de fatores como preço da soja, custo dos insumos, combustível, crédito e frete.

O estudo considera o diesel a R$ 6,45 por litro, juros de financiamento de 14,25% ao ano e frete calculado com uma distância de referência de 80 quilômetros.

Arrendamento aperta ainda mais a margem

Para quem produz em terra arrendada, o cenário é mais apertado. O estudo considera um arrendamento médio de 15 sacas por hectare, equivalente a R$ 1.792,80.

Com esse valor incluído na conta, o custo total sobe para R$ 6.817,62 por hectare. Nesse cenário, o produtor precisa colher 57,04 sacas por hectare para atingir o ponto de equilíbrio.

A marca fica acima da produtividade de referência de 52,4 sacas, deixando o produtor arrendatário mais vulnerável a uma queda na produtividade, redução do preço da soja ou aumento dos custos.

Clima entra na conta

Além dos custos, o clima será uma das principais variáveis da nova safra. A previsão para setembro a novembro indica chuvas próximas ou acima da média em Mato Grosso do Sul, mas com possibilidade de distribuição irregular, especialmente durante a transição entre a estação seca e a chuvosa.

As temperaturas também devem ficar acima da média, com possibilidade de períodos de calor intenso e ondas de calor.

Para os produtores, a combinação reforça a necessidade de acompanhar de perto as condições climáticas antes e durante o plantio. Mesmo com expectativa de chuvas favoráveis no trimestre, a irregularidade na distribuição pode interferir diretamente no calendário e no desenvolvimento das lavouras.

Planejamento vira palavra-chave

Diante desse cenário, a recomendação da Aprosoja/MS é que o produtor entre na safra 2026/2027 com atenção redobrada ao planejamento.

“O produtor vem de um período de maior endividamento, o clima continua sendo uma variável importante e também observamos uma compra menor de fertilizantes. Tudo isso precisa ser considerado no planejamento da safra, porque pode impactar tanto os custos quanto o resultado final da produção”, avalia o coordenador técnico da entidade, Gabriel Balta.

O estudo de custo foi elaborado com base na Norma de Custo de Produção 30.302 da Conab e adaptado à realidade da produção empresarial de soja em Mato Grosso do Sul. Os preços de insumos e coeficientes técnicos foram levantados entre 1º e 30 de julho com produtores, técnicos de campo e fornecedores.

Tags: Milho, Safra, Soja,