Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Tecnologia criada por pesquisadores da USP combina sensores feitos com materiais renováveis e IA para identificar anticorpos contra o H5N1
Michelly Perez - 10/09/2026 • 12:00
Foto: Andy Coffle/Pexels
Uma tecnologia que parece saída de um filme de ficção científica pode ajudar no combate à gripe aviária. Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP) desenvolveram uma espécie de “língua eletrônica” capaz de identificar anticorpos contra o vírus H5N1 em cerca de seis minutos.
O dispositivo utiliza quatro sensores revestidos com materiais de origem renovável, como proteínas encontradas no milho, na jaca e no feijão-de-porco, além de nanopartículas de ouro modificadas com uma proteína presente na seda.
Na prática, os sensores analisam as propriedades elétricas da amostra. As alterações provocadas pela presença dos anticorpos formam uma espécie de “impressão digital elétrica”, que é interpretada por um sistema de inteligência artificial.
Nos testes realizados em laboratório, a tecnologia alcançou 98,6% de acurácia para diferenciar amostras com anticorpos contra o H5N1 de amostras saudáveis e de outras doenças aviárias.
Apesar do resultado promissor, o dispositivo ainda não pode ser considerado um teste diagnóstico para pessoas. A pesquisa não utilizou sangue humano: os experimentos foram feitos com anticorpos comerciais e amostras de soro enriquecidas artificialmente.
Antes de chegar a hospitais, clínicas ou ser utilizada em larga escala, a tecnologia precisará passar por testes com amostras clínicas e estudos de validação.
A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, o mesmo princípio possa ser adaptado para identificar outros vírus e até ser utilizado em áreas como controle de qualidade de alimentos e detecção de contaminantes.
O estudo foi publicado na revista Applied Nano Materials e contou com financiamento de Capes, CNPq e Fapesp.
A proposta une três elementos que chamam atenção: materiais sustentáveis, inteligência artificial e uma tecnologia capaz de reconhecer sinais de um vírus em poucos minutos. Agora, o desafio é levar a inovação do laboratório para situações reais.