Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Recurso aponta avanço das investigações sobre grupos virtuais e sustenta que gravidade do caso justifica internação provisória
Michelly Perez - 23/09/2026 • 10:41
Foto: PCMS
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) para tentar restabelecer a internação provisória de cinco adolescentes investigados por envolvimento na morte de Lívia Cioca Ferreira, de 13 anos. O recurso foi apresentado nesta terça-feira (22), por meio de agravo de instrumento com pedido de tutela de urgência.
Os adolescentes haviam sido liberados após o fim do prazo da medida cautelar. No recurso, a 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí defende que eles permaneçam internados até a conclusão do processo socioeducativo.
Segundo o MPMS, a gravidade do caso, a complexidade das investigações e a proximidade da sentença justificariam a manutenção da medida. O órgão afirma ainda que as apurações continuam avançando e que houve necessidade de analisar grande volume de material digital, além de realizar perícias e contar com cooperação de órgãos de outros estados e de outros países.
Conforme o recurso, as investigações identificaram grupos organizados em plataformas digitais, nos quais, segundo o Ministério Público, haveria divisão de tarefas e hierarquia.
O MPMS afirma que os grupos estariam relacionados a práticas como violência psicológica, automutilação, maus-tratos a animais e indução de adolescentes vulneráveis a comportamentos autodestrutivos.
Ainda de acordo com a investigação, Lívia teria sido submetida a constrangimentos e instigações em plataformas digitais antes do ato que resultou em sua morte, em junho deste ano.
As informações integram as alegações apresentadas pelo Ministério Público e ainda serão analisadas pelo Tribunal de Justiça.
Além do recurso para tentar restabelecer a internação dos cinco adolescentes, o MPMS já apresentou duas representações para aplicação de medidas socioeducativas contra outros investigados.
Na primeira representação, cinco adolescentes foram apontados como integrantes ou administradores dos grupos identificados pelas investigações como “PROXY” e “SNAK4”.
Uma segunda representação ampliou o número de investigados e incluiu outros seis adolescentes localizados em diferentes estados. Segundo o MPMS, eles seriam suspeitos de participar da manutenção, administração e organização das atividades dos grupos virtuais.
As investigações também apuram um episódio de maus-tratos a animal que teria sido transmitido pela internet.
No agravo, o Ministério Público argumenta que o tempo utilizado nas investigações não decorreu de inércia dos órgãos responsáveis, mas da necessidade de aprofundar as diligências, individualizar a conduta de cada investigado e reunir provas técnicas.
Agora, cabe ao TJMS analisar o pedido de tutela de urgência e decidir sobre o eventual restabelecimento da internação provisória dos cinco adolescentes.
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