Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Produção florestal do Estado bate recorde de R$ 5,65 bilhões, enquanto Três Lagoas lidera ranking nacional e sete municípios aparecem entre os 20 maiores produtores do país
Michelly Perez - 24/09/2026 • 10:38
Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
Mato Grosso do Sul consolidou ainda mais seu peso na indústria florestal brasileira em 2025. O valor da produção da silvicultura e da extração vegetal chegou a R$ 5,65 bilhões, crescimento de 62,8% em apenas um ano e o maior resultado da série. O avanço é puxado principalmente pela produção de madeira em tora, destinada sobretudo à indústria de papel e celulose.
O desempenho coloca o Estado entre os principais polos florestais do país. Apenas a silvicultura — formada pelas florestas plantadas — movimentou R$ 5,62 bilhões, alta de 65,3% sobre 2024 e o quinto maior valor entre todas as unidades da Federação.
O principal motor dessa expansão foi a madeira em tora. Em 2025, o produto alcançou R$ 5,24 bilhões, valor 92,6% maior que o registrado no ano anterior. A quantidade produzida também cresceu, chegando a 30,6 milhões de metros cúbicos, alta de 17,6%. Com isso, Mato Grosso do Sul subiu duas posições e passou a ocupar o segundo lugar no ranking nacional de produção de madeira em tora.
O avanço aparece de forma ainda mais expressiva nos municípios. Três Lagoas assumiu a liderança nacional em valor da produção da silvicultura, com R$ 1,83 bilhão em 2025, contra R$ 579,2 milhões no ano anterior. Na prática, o valor mais que triplicou em um ano.
Ribas do Rio Pardo também se destacou, ocupando a segunda colocação nacional, com R$ 1 bilhão. Brasilândia ficou em quarto lugar, Água Clara em oitavo, Selvíria em nono, Inocência em décimo e Santa Rita do Pardo em 19º. Ao todo, sete municípios sul-mato-grossenses aparecem entre os 20 maiores produtores de silvicultura do Brasil.
Os números mostram a força que a cadeia de papel e celulose ganhou no Estado e como a produção florestal deixou de ser concentrada em poucos municípios.
A expansão também aparece no tamanho das áreas plantadas. Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 1,9 milhão de hectares destinados à silvicultura, crescimento de 30,34% em relação a 2024 e o maior resultado da série histórica.
Desde 2013, quando o Estado tinha 662,2 mil hectares plantados, a área cresceu aproximadamente 187%. MS já é o segundo Estado brasileiro com maior área de silvicultura, atrás apenas de Minas Gerais, e responde por 18,33% de toda a área plantada do país.
O domínio é praticamente absoluto do eucalipto: 99,7% da área de silvicultura de MS, ou 1,89 milhão de hectares, é ocupada pela espécie. O pinus representa apenas 0,3%.
Quando o ranking considera a área ocupada pelas florestas plantadas, Mato Grosso do Sul também aparece no topo.
Ribas do Rio Pardo lidera o Brasil, com 537 mil hectares. Três Lagoas aparece em segundo, com 348,1 mil hectares, seguida por Água Clara, com 186,7 mil hectares, e Brasilândia, com 158,6 mil hectares.
Santa Rita do Pardo, Selvíria e Inocência completam a lista. Assim, sete dos dez municípios brasileiros com as maiores áreas de silvicultura estão em Mato Grosso do Sul.
Ribas ampliou sua área em 40,7% em apenas um ano. Santa Rita do Pardo teve uma das maiores expansões, de 82,1%, passando de 65,5 mil para 119,3 mil hectares.
Apesar do avanço da madeira destinada à indústria, outros segmentos tiveram retração. A produção de lenha caiu 52,8%, passando de 2,48 milhões para 1,17 milhão de metros cúbicos. O valor gerado pelo produto recuou 49,8%, para R$ 126,4 milhões.
O carvão vegetal também perdeu espaço. A produção caiu 43,4%, para 237,4 mil toneladas, enquanto o valor da produção recuou 26,6%, para R$ 250,6 milhões. Com isso, MS passou para a terceira posição nacional entre os Estados produtores.
Enquanto os produtos tradicionais perderam força, o extrativismo alimentício apresentou forte crescimento. A produção saltou de 11 para 50 toneladas, alta de 354,5%, e o valor passou de R$ 98 mil para R$ 309 mil. O baru ou cumaru foi o principal produto, com 29 toneladas, sendo Nioaque responsável por 25 toneladas.
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