Campo Grande - quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Mesmo com juros altos e famílias endividadas, vendas devem crescer 1,8% neste ano
Michelly Perez - 08/10/2026 • 06:51
Foto: Marcos Maluf
O Dia das Crianças deve movimentar R$ 9,27 bilhões no comércio brasileiro em 2026, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O valor representa crescimento de 1,8% em relação ao ano passado, quando a data movimentou R$ 9,11 bilhões.
Considerada a quarta principal data do calendário do varejo nacional, a comemoração deve beneficiar não apenas lojas de brinquedos, mas também supermercados, comércio de roupas, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos de lazer.
Os brinquedos devem concentrar a maior fatia dos gastos. O segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui principalmente esses produtos, deve responder por 39% do faturamento, o equivalente a R$ 3,62 bilhões.
Na sequência aparecem os hiper e supermercados, com previsão de R$ 2,63 bilhões em vendas, e o setor de vestuário e acessórios, que deve movimentar R$ 1,35 bilhão.
Apesar da expectativa de aumento nas vendas, o consumidor deve encontrar preços mais altos neste ano. A cesta de produtos analisada pela CNC apresenta alta média de 6,7% em relação a 2025.
Entre os itens que mais subiram estão os chocolates, com alta de 19,3%, videogames, que ficaram 11,2% mais caros, lanches, com aumento de 8%, e brinquedos, que tiveram reajuste médio de 7,1%.
O cenário é considerado desafiador porque o custo do crédito permanece elevado. A taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, maior nível para o mês de agosto desde 2016.
Ao mesmo tempo, 82% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida e 29,9% estão com contas atrasadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
Para a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF MS), Regiane Dedé, o resultado mostra que as datas comemorativas continuam estimulando o consumo, mas exigem atenção ao orçamento.
“O consumo segue condicionado por fatores como juros elevados, crédito mais caro e o elevado comprometimento da renda das famílias com dívidas”, afirmou.
Mesmo diante das restrições econômicas, o Dia das Crianças mantém força para o comércio porque o consumo não fica concentrado apenas na compra de presentes. A comemoração também movimenta restaurantes, lanchonetes e atividades de entretenimento.
Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, a data gera reflexos em diferentes setores e contribui para a circulação de renda.
A CNC avalia que o mercado de trabalho continua ajudando a sustentar o consumo, mas a redução lenta dos juros ao longo de 2026 deve manter o ritmo de crescimento das vendas em nível moderado.
Ainda assim, o Dia das Crianças permanece entre as principais oportunidades comerciais do segundo semestre para o varejo e o setor de serviços.
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