Campo Grande - quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Nove municípios sul-mato-grossenses apresentaram alto risco de infestação pelo mosquito no segundo ciclo do LIRAa
Michelly Perez - 08/10/2026 • 09:48
Foto-Bruno-Rezende
Enquanto o Brasil registra uma redução de aproximadamente 70% nos casos prováveis de dengue em 2026, Mato Grosso do Sul mantém o alerta para a presença do Aedes aegypti. O segundo ciclo do Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) realizado no Estado apontou nove municípios em situação de alto risco de infestação.
O pior índice foi registrado em Eldorado, com 9,8%, seguido por Santa Rita do Pardo (7,5), Ribas do Rio Pardo (6,6), Rio Negro (5,9), Bela Vista (5,9), Maracaju (5,6), Ponta Porã (5,3), Anastácio (5,2) e Terenos (4,7).
O levantamento é utilizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) para identificar áreas com maior presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika e orientar as ações de controle nos municípios.
Apesar do risco de infestação, o cenário epidemiológico brasileiro apresenta melhora em relação ao ano passado. Até 26 de setembro, foram registrados 470,5 mil casos prováveis de dengue, contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025, uma redução de aproximadamente 70%.
Também houve queda nos casos de chikungunya, que passaram de 118,8 mil para 67,9 mil, redução de 43%. Os registros de zika caíram 35%, de 3.724 para 2.141 casos.
Os dados mostram que a redução da circulação das doenças não elimina o risco de novos surtos, principalmente diante da presença do mosquito em diferentes regiões.
O boletim epidemiológico da SES mostra que Mato Grosso do Sul registrava 4.551 casos prováveis de dengue em 2026, com 1.933 confirmações, conforme dados divulgados em agosto. O Estado também tinha um óbito confirmado pela doença e outro em investigação.
O cenário é diferente para a chikungunya, que apresentou circulação mais intensa no Estado. Na mesma atualização, eram 12.520 casos prováveis e 9.961 confirmados, além de 30 mortes confirmadas pela doença.
O levantamento nacional mostra que os principais focos continuam relacionados a recipientes presentes no cotidiano da população.
Vasos e pratos de plantas, garrafas e pequenos recipientes representam 42,3% dos criadouros identificados. Reservatórios de água, como caixas-d’água, tonéis e cisternas, respondem por 26,1%. Já pneus, lixo e outros resíduos sólidos representam 23%.
No Centro-Oeste, onde está Mato Grosso do Sul, predominam justamente os criadouros encontrados em vasos, pratos de plantas, garrafas e outros recipientes domésticos.
A SES reforça que mesmo municípios com índices baixos precisam manter a vigilância. No primeiro ciclo de 2026, Campo Grande, por exemplo, apresentou índice de 1,4%, classificado como médio risco. Na ocasião, a secretaria alertou que até municípios com índice zero deveriam cruzar os resultados do LIRAa com outras ferramentas de monitoramento, como as ovitrampas.
Entre as medidas recomendadas estão eliminar recipientes que possam acumular água, manter caixas-d’água e outros reservatórios tampados, limpar calhas e ralos, além de dar destinação adequada a pneus, garrafas, latas, plásticos e entulhos.
O Ministério da Saúde também destaca o uso de novas estratégias de controle, como ovitrampas, borrifação residual, estações disseminadoras de larvicida e o método Wolbachia.
A orientação é que a população não espere o aumento dos casos para agir. Mesmo com a queda registrada neste ano, a presença do mosquito mantém aberto o risco de uma nova transmissão, especialmente nos períodos de calor e chuva. (com Agência Brasil)
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