Campo Grande - domingo, 9 de agosto de 2026
Representantes do setor de transportes se dizem decepcionados com as propostas apresentadas
Michelly Perez - 17/12/2024 • 12:40
Foto: Revista A Foto
Depois de inúmeras discussões, sessões e polêmicas, a consulta pública sobre possíveis alterações nas condições impostas para implantação das melhorias já propostas pela ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre) e pela empresa CCR, que não cumpriu com o contrato, não passou de um palco de exposição de novas condições para execução das obrigações atrasadas.
Segundo Rafael Vitale, diretor-geral da ANTT, os principais gargalos da BR-163 em Mato Grosso do Sul são a duplicação, falta de terceiras faixas, entroncamentos em desnível e travessias em áreas urbanas. A nova proposta visa à duplicação total da via até 2054, contudo, as obras somente deverão ser concretizadas conforme a demanda.
“No primeiro momento, o acordo inicial é o da duplicação em boa parte da rodovia e criação de terceiras faixas, mas o contrato traz o conceito de ‘gatilho de demanda’, ou seja, se a demanda começar a subir, a concessionária automaticamente será obrigada a duplicar, e o custo do pedágio só vai aumentar depois que ele entregar a duplicação”, explicou.
Outro ponto questionado no encontro foi a manutenção da CCR MS Via, que mesmo sem ter cumprido com o contrato, pode seguir com a gestão da rodovia levantando dúvidas sobre a continuidade do não cumprimento das metas e os aumentos constantes de pedágios.
“Tem um acordo já com a concessionária de ser levado à Bolsa de Valores, B3 de São Paulo, e se outra operadora quiser cobrir a oferta, ela que vai ficar com o contrato”, disse Rafael que adiantou que a proposta deverá ser apresentada nos primeiros meses de 2025.
Em entrevista sobre o panorama obtido durante a reunião, Cláudio Cavol, presidente do Setlog-MS (Sindicato de Empresas de Transporte de Cargas e Logística) disse que o projeto tal e como foi apresentado é catastrófico para a economia do Estado.
“Eles estão permitindo que a CCR aumente em 33% o pedágio no próximo ano, com o mínimo de investimento de 11 quilômetros de duplicação, imagina quando vier 100% do reajuste”, questionou.
O deputado estadual Roberto Hashioka (União Brasil), que manifestou publicamente a sua indignação com o parecer favorável do Tribunal de Contas da União (TCU) na repactuação, disse que é lamentável o novo contrato não prever a duplicação total.
“São falas contadas, a BR-163 deverá ser uma alimentadora do projeto da Rota Bioceânica. A colocação é a questão dos acostamentos nos trechos no Sul do Estado, se a gente puder pedir alguma coisa, e claro que eu como deputado não vou conseguir combater o sistema, mas deixo registrado o meu inconformismo”, pontuou.
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