Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Na região Oeste, produtores já substituem o milho pelo sorgo em áreas mais afetadas
Michelly Perez - 31/08/2026 • 09:29
Foto: Aprosoja MS
Enquanto a colheita do milho avança em Mato Grosso do Sul, produtores enfrentam um problema que tem causado prejuízos pontuais em algumas propriedades: o ataque de javalis e seus híbridos. Na região Oeste do Estado, a intensidade da presença dos animais em determinadas áreas já levou agricultores a substituir o cultivo do milho pelo sorgo granífero.
Os dados são do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc. Conforme o levantamento, até 21 de agosto, 75,1% da área acompanhada já havia sido colhida, o equivalente a aproximadamente 1,66 milhão de hectares.
A região Norte concentra o maior avanço da colheita da segunda safra de milho 2025/2026, com 92% da área colhida. Na sequência aparecem as regiões Centro, com 77,5%, e Sul, com 71,6%.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o monitoramento realizado pelo projeto permite identificar tanto o potencial produtivo das lavouras quanto fatores que podem comprometer o desempenho da safra.
Entre esses fatores está a presença dos suiformes, grupo que inclui javalis e seus híbridos. Embora os danos ainda sejam considerados pontuais, o problema já interfere nas decisões de alguns produtores.
“Na região Oeste do Estado, a intensidade dos ataques em algumas áreas já levou produtores a substituir o cultivo do milho pelo sorgo granífero”, informou Balta.
Apesar das ocorrências, o cenário geral das lavouras permanece positivo. Do total de áreas avaliadas, 69% estão classificadas em boas condições. Outras 19,7% apresentam condições regulares e 11,3% foram consideradas ruins.
A estimativa inicial para a segunda safra aponta 2,206 milhões de hectares cultivados, com produtividade média prevista de 84,2 sacas por hectare e produção estimada em 11,139 milhões de toneladas. Os resultados preliminares registrados pelos técnicos variam de 40 a 192 sacas por hectare.
Mesmo com o ritmo de colheita, o percentual registrado em 21 de agosto está 5,4 pontos percentuais abaixo do observado no mesmo período da safra 2024/2025. A atualização da produtividade média estadual deve ser divulgada no início de setembro, quando a amostragem deverá alcançar 10% da área estimada de cultivo.
Além dos ataques de suiformes, o boletim semanal também alerta para a possibilidade de vendavais em diferentes regiões do Estado e destaca o avanço do manejo de plantas daninhas, principalmente da buva, diante da proximidade do início da próxima safra de soja.
Para acompanhar a presença de javalis e outros suiformes nas áreas rurais de Mato Grosso do Sul, a Aprosoja/MS mantém um painel de mapeamento que reúne registros de ocorrência dos animais no Estado.
A ferramenta permite identificar as regiões onde há relatos de presença dos suiformes e ampliar o conhecimento sobre a distribuição territorial das espécies. O registro pode ser feito de forma anônima: não é necessário informar o nome do produtor ou da propriedade.
Para validar a ocorrência, no entanto, é necessário encaminhar imagens que comprovem o avistamento dos animais.
O mapeamento pode auxiliar produtores e entidades do setor na identificação das áreas com maior incidência e no acompanhamento da evolução do problema nas regiões agrícolas do Estado.