Campo Grande - sábado, 8 de agosto de 2026
Morte de criança em Naviraí foi transmitida ao vivo e outra adolescente já estava na lista dos criminosos
Michelly Perez - 05/08/2026 • 09:02
Fotos: PCMS
O que parecia ser apenas mais um grupo de adolescentes na internet escondia uma rede de manipulação psicológica, violência extrema e incentivo ao suicídio. A investigação da Operação Lívia revelou que os criminosos chegaram a criar uma chave Pix para enviar dinheiro às vítimas, financiando a compra de objetos utilizados em desafios de automutilação.

Desafios e mortes eram transmitidos em lives, aponta a investigação
As descobertas foram apresentadas nesta terça-feira (4) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que coordenou a operação em conjunto com as polícias civis de oito estados.
Segundo as investigações, todos os envolvidos eram adolescentes, com exceção de um jovem de 18 anos. O grupo utilizava plataformas como Discord e Telegram para recrutar crianças e adolescentes, impor desafios cada vez mais violentos e exercer controle psicológico sobre as vítimas.
O caso veio à tona após a morte de Lívia, de 13 anos, em Naviraí (MS). Conforme a investigação, a adolescente foi induzida a cometer atos de crueldade contra um animal e, posteriormente, teve o suicídio transmitido ao vivo pela internet para outros adolescentes que acompanhavam a ação.
Durante as investigações, a Polícia Civil identificou que outra adolescente já estava sendo preparada para seguir o mesmo caminho. Ela também seria levada a transmitir o próprio suicídio em uma plataforma digital, mas foi localizada a tempo pelas equipes policiais e teve a vida preservada.
Para manter as vítimas dentro da rede criminosa, os investigados não apenas impunham desafios, mas enviavam recursos por meio de uma chave Pix para que elas comprassem lâminas e outros objetos utilizados nos atos de automutilação, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
No caso da pequena Lívia, a polícia destacou que sua mãe nem se quer sabia que criança tinha uma chave pix em seu nome.
O coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), delegado Alesandro Barreto, classificou o esquema como uma forma de “escravidão digital”, na qual adolescentes vulneráveis eram manipulados para praticar violência contra si mesmos e contra animais, sempre em busca da aprovação dos integrantes do grupo.
Ao todo, a Operação Lívia resultou na apreensão de cinco investigados, com idades entre 13 e 18 anos, em cinco estados brasileiros. Apenas um deles era maior de idade.

Durante a apresentação dos resultados, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, fez um alerta aos pais e responsáveis para que acompanhem de perto a rotina digital dos filhos.
Segundo ele, grupos criminosos têm utilizado plataformas de comunicação para aliciar adolescentes de forma silenciosa, explorando fragilidades emocionais e transformando desafios virtuais em crimes com consequências irreversíveis.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, destacou a importância do Marco Civil da Internet, do ECA Digital e dos decretos recentemente publicados para fortalecer o enfrentamento aos crimes no ambiente digital.

“A operação Lívia trata de um tema extremamente sensível para o MJSP: os crimes de ódio e a violência no ambiente digital. Os resultados alcançados demonstram a importância de um marco normativo adequado e da integração entre as forças de segurança, fortalecida pelos decretos recentemente publicados”, declarou o ministro.
Segundo Wellington Lima, o laboratório teve papel essencial na produção de inteligência e na promoção da cooperação interfederativa, reunindo informações e compartilhando-as com os órgãos competentes. O ministro também reforçou a importância do acompanhamento de pais e responsáveis sobre a atuação de crianças e adolescentes no ambiente digital.
“Essas ações fazem parte de uma estratégia prioritária para tornar a atuação das forças de segurança cada vez mais efetiva na proteção da vida de crianças, mulheres e famílias. Por isso, reforço também um alerta aos pais e responsáveis para que redobrem os cuidados com seus filhos no ambiente digital”, disse.
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