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Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026

A pinscher que ‘sequestrou’ o videogame: escritora de MS transforma vício em telas em febre literária infantil

Cilene Queiroz aproxima crianças de temas atuais sem abrir mão da diversão

Michelly Perez - 14/09/2026 • 09:08

Fotos: divulgação

E se o seu videogame desaparecesse misteriosamente bem no meio da fase mais difícil? E se o planeta começasse a derramar lágrimas de chuva por causa da poluição e do desmatamento? Para os pequenos leitores, esses seriam os ingredientes perfeitos para um desenho animado de sucesso.

Mas, na vida real, são os motes das histórias criadas pela escritora sul-mato-grossense Cilene Queiroz, que virou febre ao transformar os maiores dilemas da criação moderna — o uso excessivo de telas e a urgência climática — em aventuras lúdicas que prendem a atenção de crianças e adultos.

Bióloga de formação, mestre em Agronomia e artista plástica de Três Lagoas (MS), Cilene encontrou na literatura infantil a ferramenta definitiva para driblar os discursos chatos de adulto. Ao invés de manuais de regras, ela entrega mistérios, animais cativantes e uma boa dose de imaginação.

Uma guinada literária que ganhou força após a autora superar um Acidente Vascular Cerebral (AVC), transformando a superação em uma missão de incentivo à leitura — inclusive destinando parte da renda dos livros para projetos educacionais como o É Preciso Ler.

O sumiço que salvou a infância

Em Cacau e o Sumiço do Videogame, a heroína não usa capa, mas tem quatro patas e pelos cor de chocolate. Cacau é uma pinscher esperta e cheia de energia que decide intervir quando os irmãos Xico e Xaco trocam o mundo real pelas telas dos consoles. O misterioso sumiço do aparelho vira a casa de cabeça para baixo e obriga os personagens a redescobrirem o prazer das brincadeiras ao ar livre.

A história toca em uma ferida bem atual das famílias. Dados recentes mostram que a imensa maioria das crianças e adolescentes brasileiros já navega pela internet desde cedo, com uma fatia expressiva dando o primeiro clique antes mesmo dos 6 anos. Para Cilene, a tecnologia não é a vilã, mas precisa dividir espaço com o “mundo de fora”. “Nenhuma tela substitui o contato com outras crianças, a convivência com a família e a descoberta da vida real”, resume a autora.

O choro do Planeta Azul

Já em A Águia Solidária e o Planeta Azul, o cenário muda para as alturas e se expande pelas florestas e mares. A protagonista Sury é uma águia corajosa que se une a Black (um pássaro-preto) e Pitoco (um porquinho) para investigar a origem de misteriosas gotas d’água que insistem em cair sobre a Terra. O mistério é revelado com sensibilidade: as gotas são as lágrimas de um planeta ferido por queimadas, desmatamento e lixo nos oceanos.

Ambientada em um estado que convive diariamente com as riquezas e os alertas do Cerrado, do Pantanal e da Mata Atlântica, a narrativa aproxima a garotada da responsabilidade ambiental de forma afetiva, mostrando que cuidar da natureza é um dever de todos.

Onde encontrar

Para quem quer trocar o controle remoto e o celular por páginas repletas de cor e consciência, os livros Cacau e o Sumiço do Videogame e A Águia Solidária e o Planeta Azul já estão disponíveis nas plataformas da Amazon e na LC Books. Para acompanhar de perto o trabalho da autora e os bastidores de suas criações, o caminho é conferir o perfil no Instagram @cilenequeiroz_arteliteraria.

Tags: Cilene Queiroz, Literatura, Livros infantis,