Campo Grande - sábado, 8 de agosto de 2026
Arquiteto morreu aos 58 anos e deixa legado de criatividade em projetos que uniram arquitetura, design e arte
Michelly Perez - 07/08/2026 • 08:28
Fotos: redes sociais
Mais do que edifícios e ambientes, Luis Pedro Scalise deixou experiências. Ao longo de mais de 35 anos de carreira, o arquiteto imprimiu sua personalidade em projetos que ajudaram a transformar a paisagem e a memória de Mato Grosso do Sul, com uma criatividade que também atravessou fronteiras.
Scalise morreu nesta quinta-feira (6), aos 58 anos, em Campo Grande. Ele estava internado em um hospital particular desde o fim de julho. A causa da morte ainda não havia sido divulgada pela família até a publicação desta reportagem.
Sua assinatura ficou em casas, bares, restaurantes, casas noturnas e projetos especiais. Mas o legado vai além dos espaços que projetou: está na maneira como entendia a arquitetura como uma ferramenta para criar sensações, contar histórias e surpreender.
Um dos exemplos mais marcantes foi a Casa do Papai Noel, montada em Campo Grande em 2018. O projeto levou a cenografia a outro nível ao apostar em uma experiência sensorial, com paredes aromatizadas com cheiro de chocolate.
A criatividade também apareceu em projetos como o Valley Pub e o Valley Acoustic, que ganharam ambientes temáticos e uma identidade visual própria. Na televisão, Scalise participou da criação cenográfica de Salve Jorge, novela da TV Globo exibida em 2012, com referências à cultura turca.
Sua produção chegou ainda ao exterior. Ao longo da carreira, desenvolveu projetos e conceitos de ambientação em países do Oriente Médio, incluindo Dubai, Abu Dhabi, Catar e Jordânia.
Nos últimos anos, a mesma inquietação criativa que marcou sua arquitetura encontrou espaço nas telas. Scalise passou a se dedicar à pintura, explorando paisagens, animais, cores e elementos da natureza.

Assim, deixou de ser lembrado apenas como arquiteto. Foi também designer, cenógrafo e artista — um profissional que transitava entre diferentes formas de criação e que fez da capacidade de imaginar algo diferente uma de suas principais marcas.
Para Mato Grosso do Sul, fica um legado espalhado por diferentes espaços e projetos. Para além das construções, ficam as experiências criadas por alguém que enxergava um ambiente não apenas como lugar para ocupar, mas como algo capaz de provocar emoções e permanecer na memória.
O CAU/MS (Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul) lamentou a morte do profissional e destacou sua contribuição para a arquitetura e a cultura do Estado.
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