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Campo Grande - terça-feira, 4 de agosto de 2026

“Ela não conseguia sustentar a cabeça. Hoje sobe escadas sozinha”: a trajetória de superação de Valentina emociona família

Diagnosticada com Síndrome de Down ainda bebê, menina conquista autonomia e transforma desafios em vitórias

Michelly Perez - 04/08/2026 • 09:05

Foto: divulgação

Há três anos, um gesto simples parecia distante para a pequena Valentina Braz Arguelho. Aos seis meses de vida, ela ainda não conseguia sustentar a cabeça, sentar ou realizar movimentos comuns para sua idade. Diagnosticada com Síndrome de Down, a menina iniciou uma jornada de reabilitação no Centro Especializado em Reabilitação e Oficina Ortopédica (CER/APAE), da APAE de Campo Grande.

Hoje, aos 3 anos, a cena que mais emociona a mãe, Aline Braz, é ver a filha subir sozinha as escadas do prédio onde a família mora.

“É uma conquista que parece simples para muita gente, mas para nós significa tudo. Quando ela começou o tratamento, não sustentava a cabecinha, não sentava, não rolava. Hoje ela anda, corre, fala, come sozinha. Ela está nota dez”, conta a mãe, emocionada.

O desenvolvimento de Valentina é resultado de um acompanhamento iniciado ainda nos primeiros meses de vida. Por causa da hipotonia muscular — condição frequente em crianças com Síndrome de Down, caracterizada pela diminuição do tônus muscular —, ela precisou começar a estimulação precocemente.

No CER/APAE, passou a ser acompanhada por uma equipe multiprofissional formada por fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, psicólogos e médicos especialistas, que elaboraram um plano de atendimento voltado às necessidades da criança.

Mais do que o tratamento, Aline diz ter encontrado acolhimento em um momento de muitas dúvidas.

“Quando uma mãe recebe um diagnóstico como esse, a gente fica perdida, sem saber o que fazer. Aqui eu encontrei profissionais que nos orientaram, acolheram e mostraram que minha filha poderia se desenvolver. Foi muito além do que eu imaginava”, relembra.

Um dos momentos decisivos da evolução de Valentina foi a participação em dois ciclos do Método TheraSuit®, um programa intensivo de fisioterapia voltado a pessoas com desordens neuromusculares.

Segundo Aline, o tratamento seria praticamente inviável para a família caso precisasse ser custeado de forma particular.

“É um tratamento muito difícil de encontrar em Campo Grande e, quando existe, costuma ser particular. Se eu tivesse que pagar, gastaria cerca de R$ 20 mil por mês. Aqui ela fez tudo gratuitamente. Foram 30 dias, com três horas de terapia por dia. Depois disso, percebemos um avanço enorme no desenvolvimento motor dela.”

A fisioterapeuta Greiciani Fadel Borin Machado, certificada no Método TheraSuit, acompanhou essa evolução de perto.

“A Valentina realizou dois programas intensivos no CER/APAE e apresentou melhora significativa no equilíbrio, na coordenação motora, na força muscular e na autonomia. Também observamos avanços importantes nas habilidades motoras funcionais, que refletem diretamente na independência dela nas atividades do dia a dia”, explica.

Hoje, a menina vive uma rotina parecida com a de qualquer criança da sua idade. Corre, brinca, conversa, se alimenta sozinha e conquista, aos poucos, cada vez mais independência.

Para a mãe, no entanto, o maior legado da instituição vai além das terapias.

“Para mim, a APAE representa um lugar de luz. Eu e minha filha fomos acolhidas desde o primeiro dia. Aqui ela faz todos os acompanhamentos de que precisa e eu me sinto segura. É um lugar que mudou a nossa vida.”

Ao olhar para o futuro, Aline prefere enxergar possibilidades, não limitações.

“Como toda mãe, eu sonho que minha filha seja independente. Quero que ela estude, faça faculdade, se esse for o desejo dela, trabalhe, namore, case, construa a própria história. Acima de tudo, quero que ela seja feliz.”

Método intensivo

Desenvolvido nos Estados Unidos, o Método TheraSuit® é um programa intensivo de reabilitação destinado a pessoas com alterações neuromusculares. O tratamento é individualizado, elaborado após avaliação específica de cada paciente e realizado durante quatro semanas, com sessões diárias de três horas.

No CER/APAE de Campo Grande, o método é oferecido gratuitamente por fisioterapeutas certificados. Para participar, o paciente precisa estar em acompanhamento fisioterapêutico na instituição e passar por uma avaliação que verifica os critérios clínicos para inclusão no programa.

Para famílias como a de Valentina, cada sessão representa mais do que um tratamento. É a oportunidade de transformar pequenas conquistas em grandes passos rumo à autonomia e à qualidade de vida.

Tags: CER/APAE, Comunidade, Superação,