ícone whatsapp

Comunidade • Confira tudo que você precisa saber sobre a comunidade

Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Pesquisa investiga desafios de mulheres que vivem na fronteira entre MS e Paraguai

Projeto reúne universidades e órgãos públicos para estudar acesso à saúde, assistência e educação em municípios de MS

Michelly Perez - 31/08/2026 • 10:23

Foto: UCDB

A vida na fronteira entre Brasil e Paraguai ultrapassa os limites dos mapas e também impõe desafios para o acesso a serviços públicos. É a partir dessa realidade que pesquisadoras do projeto “Mulheres transfronteiriças e saúde na fronteira Brasil-Paraguai” percorreram, entre os dias 24 e 28 de agosto, municípios de Mato Grosso do Sul para conhecer demandas locais e construir propostas de pesquisa e extensão.

A equipe passou por Porto Murtinho, Caracol e Bela Vista, onde se reuniu com representantes das áreas de Saúde, Assistência Social e Educação. O objetivo é entender como essas políticas podem atuar de forma integrada diante das particularidades de quem vive, trabalha ou circula diariamente entre os dois países.

O projeto é desenvolvido pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), por meio do Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia, em parceria com outras seis instituições de ensino superior, secretarias estaduais, organizações não governamentais e os municípios envolvidos.

A iniciativa integra o Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), do Ministério da Saúde, desenvolvido em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as secretarias estaduais de Saúde.

Saúde além da fronteira

Em Porto Murtinho, as pesquisadoras foram recebidas pelas secretarias de Saúde e Educação e pela Secretaria Adjunta de Assistência Social. O município já havia participado de uma primeira edição do PPSUS, e a nova etapa busca ampliar as parcerias e dar continuidade ao trabalho.

Em Caracol, a equipe se reuniu com representantes das três áreas para discutir propostas de pesquisa e extensão voltadas à população. Em Bela Vista, além das reuniões com os secretários municipais, houve um encontro com o prefeito Gabriel Boccia para tratar do desenvolvimento do projeto.

A proposta parte do entendimento de que o atendimento à população fronteiriça pode envolver situações que não se encaixam nos limites administrativos dos municípios e dos países. Por isso, a pesquisa busca identificar barreiras e possibilidades de integração entre diferentes políticas públicas.

Cinco eixos de investigação

A etapa iniciada em agosto segue até dezembro e está organizada em cinco eixos de pesquisa:

  • Diversidade, modos de vida, maternidade, cotidiano, acesso e barreiras;
  • Direitos, famílias e violências;
  • Determinantes sociais, intersetorialidade e trabalho no SUS da fronteira;
  • Desigualdade, diversidade, crianças e adolescentes;
  • Equidade, documentação transfronteiriça e SUS.

Na visita realizada em agosto, foram trabalhados os eixos 3 e 4. Em setembro, estão previstas novas visitas técnicas relacionadas aos eixos 1 e 2.

Mais do que produzir dados acadêmicos, o projeto pretende transformar os resultados em propostas que possam ser incorporadas às políticas públicas.

Entre os objetivos estão o desenvolvimento de novas práticas e metodologias capazes de ampliar a equidade, a acessibilidade e a participação social no SUS, além de melhorar o atendimento aos usuários e a gestão do trabalho em saúde.

A pesquisa também pretende estimular a participação das próprias comunidades em ações de promoção e prevenção, aproximando a produção científica das necessidades encontradas no cotidiano dos municípios de fronteira.

Tags: fronteira, pesquisa, UCDB,