Campo Grande - sexta-feira, 2 de outubro de 2026
A força da suinocultura, a alta nos ovos e a diversificação provam que o agro sul-mato-grossense está se reinventando
Michelly Perez - 02/10/2026 • 10:12
Foto: reprodução- Famasul
Quem olha para a grandiosidade de Mato Grosso do Sul no mapa da pecuária nacional pode não perceber a reviravolta silenciosa que os pastos do Estado vêm enfrentando. Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE, trouxeram um cenário que passou despercebido por muita gente, mas que mexe com a economia do agro: o rebanho bovino sul-mato-grossense encolheu 4,3% em 2025, fechando o ano com 17,9 milhões de cabeças.
O número marca a segunda queda anual consecutiva no estado, escancarando um retorno àquela tendência de retração que havia dominado o cenário entre 2016 e 2022. Apesar de o estado se manter firme na 5ª posição no ranking nacional — puxado pelo peso monumental de gigantes como Corumbá, que detém o segundo maior rebanho bovino de todo o Brasil (com mais de 2,1 milhões de animais) —, o pasto está perdendo espaço.
Enquanto o gado de corte dá sinais de recuo, outros setores da pecuária do estado decidiram contrariar a maré e roubar a cena. A estrela da vez é a suinocultura, que bateu recorde absoluto: Mato Grosso do Sul alcançou nada menos que 1,96 milhão de cabeças de suínos, o maior efetivo de toda a sua série histórica, registrando uma alta de 5,8% em relação ao ano anterior. Municípios como Glória de Dourados, Jateí e Dourados brilharam forte nesse crescimento, mostrando que a diversificação no campo está a todo vapor.
Outro ponto que chama atenção no levantamento do IBGE é o salto na produção de ovos, que disparou 18,3%, saltando para 134,1 milhões de dúzias, com Nova Andradina assumindo o topo da coroa estadual no setor.
A radiografia do IBGE revelou um cenário de “gangorra” para outras criações no estado em 2025:
Quedas gerais: Além do boi, perderam espaço os rebanhos de equinos (-8,9% — embora Corumbá continue soberano como o maior produtor de cavalos do país, com 34 mil cabeças), ovinos (-3,2%), caprinos (-23,3%) e até a produção de leite (-3%).
Ouro verde e mel: A aquicultura sentiu uma retração de 9,3% no volume de peixes produzidos, enquanto a produção de mel recuou 4,5%, muito embora Três Lagoas tenha mantido a liderança estadual isolada nos apiários.
No fim das contas, o valor total da produção pecuária do estado bateu recorde histórico e alcançou R$ 1,8 bilhão (alta de 11,8%). O campo se reinventa, diversifica e prova que, mesmo com o recuo do nosso tradicional boi, a economia rural de Mato Grosso do Sul continua surpreendendo.