Campo Grande - segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Procedimento utilizou pele alógena para proteger áreas lesionadas e controlar perdas de líquidos e eletrólitos enquanto paciente aguarda enxertos
Michelly Perez - 23/09/2026 • 10:46
Foto: divulgação
A Santa Casa de Campo Grande realizou, na última sexta-feira (18), um procedimento considerado inédito no hospital para tratar uma criança de 11 anos com queimaduras em mais de 60% da superfície corporal. A cirurgia utilizou pele alógena, proveniente de um banco de tecidos do Paraná, como cobertura temporária das áreas atingidas.
Internada no CTI pediátrico, a criança sofreu queimaduras extensas e, diante da gravidade das lesões, não tinha quantidade suficiente de pele saudável para que os médicos realizassem imediatamente o enxerto autólogo, feito com tecido do próprio paciente.
Nesse cenário, a equipe de cirurgia plástica optou pelo uso de pele humana doada por meio de um banco de pele. O material é utilizado temporariamente para proteger as áreas queimadas e ajudar na estabilização do paciente.
Segundo a cirurgiã plástica Renata Ferro, o procedimento pode reduzir a perda de sangue, líquidos e eletrólitos, além de contribuir para o controle da dor e diminuir o risco de infecções.
“O objetivo é preparar o organismo para, futuramente, receber enxertos da própria pele do paciente nas áreas mais comprometidas”, explica a médica.
Em queimaduras extensas de terceiro grau, a retirada de pele saudável do próprio paciente pode não ser suficiente para cobrir todas as áreas lesionadas. Nesses casos, a pele alógena funciona como uma alternativa temporária.
O procedimento permite proteger o tecido exposto enquanto o organismo se recupera e a equipe médica planeja as próximas etapas do tratamento, que podem incluir novos enxertos utilizando a própria pele da criança.
A cirurgia exigiu a atuação conjunta de profissionais de diferentes setores da Santa Casa, incluindo enfermagem, centro cirúrgico, setor de queimados, CTI pediátrico, anestesiologia e cirurgia plástica.
Estagiários e residentes também acompanharam o procedimento, considerado um marco para o atendimento de pacientes com queimaduras graves na instituição.
A criança permanece internada no CTI pediátrico e segue sob acompanhamento da equipe médica.
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